Nesse períodos de meia estação, quando não sabemos exatamente se está frio ou calor, é frequente haver verdadeiras batalhas pelo controle do ar condicionado nas empresas, escritórios e até nas casas.

Existem diversos estudos relacionando a temperatura ambiente à performance cognitiva, desempenho em tarefas etc., mas os resultados por vezes são contraditórios, alguns mostrando que o frio é mais produtivo, e outros indicando o contrário. O que poderia parecer óbvio foi comprovado num estudo da Universidade de Leiden: tem gente que gosta mais de calor e gente que gosta mais de frio. E essa preferência é que faz diferença.

Testando a memória de trabalho (memória de curtíssima duração, para manipulação de informações) de 28 voluntários em temperaturas diferentes (15, 20 e 25 graus Celsius), eles perceberam que aqueles que se sentem melhor em baixas temperaturas têm melhor performance no frio, e vice-versa.

Uma das coisas que achei mais interessante sobre a pesquisa, no entanto, foi a maneira de divulgá-la. As duas cientistas responsáveis publicaram um vídeo na internet (assista) no qual ilustram os resultados com a ajuda do Caco o Sapo (que sente muito frio), e da Miss Pig (que sofre no calor). Não chega a ser uma obra de arte, mas já foi visto mais de dez mil vezes, numa forma divertida de aproximar os cientistas da população, mostrando os impactos reais das pesquisas acadêmicas.

Caco o sapo e Miss Pig, nesse caso, nos ajudam a entender que não existe temperatura ideal para trabalhar, mas apenas a temperatura ideal para cada um. Ou seja: acordos em que todos cedam um pouco é a melhor saída também para lidar com o termostato.

ResearchBlogging.org
Sellaro, R., Hommel, B., Manaï, M., & Colzato, L. (2014). Preferred, but not objective temperature predicts working memory depletion Psychological Research DOI: 10.1007/s00426-014-0558-4