Ficar nervoso no trânsito é quase inevitável. As duas situações mais comuns em que as pessoas perdem a calma ocorrem em contextos opostos. Quando o trânsito está muito congestionado, reduzindo a mobilidade criando a sensação de enclausuramento, o sistema de alerta do nosso organismo tende a ficar mais ativo, nos deixando propensos a ter reações de fuga-ou-luta. É nesses momentos que uma batida boba ou um esbarrão no retrovisor podem ser o estopim de uma reação agressiva súbita, não raramente desproporcional à gravidade do acontecimento. Como são grandes as chances de que a outra pessoa envolvida também esteja estressada, ao se sentir ameaçada ela também pode se tornar hostil, criando o cenário para as lamentáveis brigas de trânsito, por vezes bastante violentas.

O caso dessa sexta-feira aparentemente ocorreu em situação diferente: quando a fluidez do tráfego é maior, como no início do dia, as brigas decorrem geralmente de uma escalada de violência. Após uma ultrapassagem que alguém julga indevida, uma fechada ou qualquer atitude que seja encarada como provocação, um dos motoristas tenta tirar satisfação e reparar a injustiça de que se julga vítima. Se a reação do outro envolvido for também de hostilidade, pode ter início um crescente de atos de agressão de parte a parte que tem ainda mais chance de culminar em violência física.

As saída são simples, mas nem sempre fáceis de pôr em prática. Quando nos vemos num congestionamento, o estresse vem da angústia de fazer algo para resolver a situação. Se nos conformarmos com o trânsito e o atraso, contudo, o estresse diminui. E nos casos de disputas, o ideal é usar o velho truque de contar até dez. Não só porque ele realmente funciona, mas porque nunca se sabe quem se está chamando para briga.