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Às vésperas do Natal, quando temas religiosos costumam aflorar, a Atea – Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, causa polêmica com uma campanha para veiculação de cartazes em defesa do ateísmo em ônibus de algumas cidades brasileiras.

Gostaria de aproveitra a própria campanha para discutir um pouco o sentido fundamental do Natal, que sempre precisa ser relembrado. Cristo. O nome por trás dessa história toda.

Um dos cartazes da Atea apresenta a foto de Chaplin e de Hitler, lado a lado. Sob o primeiro lê-se “Não acredita em Deus”, e sob o segundo “Acredita em Deus”. Uma frase conclui: “Religião não define o caráter”.

Nem pretendo discutir isso, já que é óbvio. O sujeito pode ser um pulha cristão ou um santo ateu. E vice-versa. O que esse cartaz em particular não mostra é o discurso que Chaplin faz ao final de “O grande ditador”, quando diz “No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos!” Apesar de judeu, apesar de ateu, Chaplin invoca palavras de Cristo para reforçar a mensagem de que o povo tem poder, “o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… de faze-la uma aventura maravilhosa”.

Esse é o sentido do Natal. Celebrar o nascimento de Cristo lembrando suas ideias (de prefêrencia pondo-as em prática). Coisa que pode ser feita, como mostra Chaplin, tanto por ateus como por crentes. Celebrar a possibilidade de fazer desse mundo um lugar melhor (“o Reino de Deus chegou”), trabalhando ativamente pelo bem das pessoas (“amar o próximo”), promovendo justiça social (“amparar os órfão e as viúvas, eis a verdareira religião”) e assim por diante.

Num estudo de 2003, psicólogos americanos se propuseram a pesquisar qual o sentido da vida para pessoas eminentes. Levantaram 238 frases de 195 pessoas que, sendo bem conhecidas, funcionam como formadoras de opinião e também como reflexo da opinião das pessoas. Com métodos qualitativos descobriram que juntas, posturas como ajudar o próximo, aprimorar-se como ser humano, contribuir com algo superior a nós mesmos e servir a Deus ou ao mundo espiritual descrevem o sentido da vida para a maioria das pessoas (36% da amostra). Uma minoria acha que vida é um absurdo (4%), e uma parte acha que a vida não tem sentido em si mesma, ou que este precisa ser criado por nós (16%).

O real sentido do Natal como o vejo, portanto, vai além da mera religião. Ao resgatar a pregação de Cristo, independente de qualquer religião cristã oficial, e tentando vivê-la, resgatamos o sentido da própria vida.

ResearchBlogging.org Kinnier, R., Kernes, J., Tribbensee, N., & Van Puymbroeck, C. (2003). What Eminent People Have Said About The Meaning Of Life Journal of Humanistic Psychology, 43 (1), 105-118 DOI: 10.1177/0022167802238816