Expandindo o tema tratado na coluna Ideias no Ar em homenagem ao dia do professor, gostaria de falar um pouco mais sobre motivação. Há algumas semanas vem fazendo muito sucesso nas redes sociais a metodologia que um pai criou para motivar os filhos. Cada criança tem uma planilha para sua mesada; na primeira linha há o valor total a ser pago no mês; nas linhas seguintes são discriminados uma série de comportamentos reprováveis, com o sua respectiva multa: não tomar banho, por exemplo, subtrai R$0,25; faltar à escola, R$1,00 e assim por diante. Como no fim do período as multas serão descontadas do valor total da mesada, as crianças teriam incentivos para se comportar bem.

Embora pareça interessante, me fez lembrar o famoso caso das escolas em Israel que instituíram multas cada vez que os pais se atrasavam para buscar os filhos. Para espanto dos administradores depois de sua introdução os atrasos mais do que dobraram. Pois o que era uma falta moral – já que deixar o filho sob responsabilidade da escola por um período maior do que o contratado era abusar da boa vontade da instituição – passou a ser uma falta econômica, devidamente precificada pela administração. Com isso os pais se sentiram mais autorizados a atrasar. Aplicando esse princípio à planilha da mesada, uma criança um pouco mais esperta calcularia que por uns vinte a trinta reais poderia passar o mês sem ir à escola nem tomar banho.

Em educação, um dos maiores desafios é exatamente o de produzir motivação. Motivação intrínseca, aquela que leva a comportamentos e atitudes por si só, independente de recompensas ou punições. As provas e notas na escola, por exemplo, são motivações extrínsecas, e têm resultados diferentes das intrínsecas: alunos intrinsecamente motivados têm melhor desempenho acadêmico, maiores taxas de leitura e compreensão de texto, mais criatividade.

Procurando descobrir quais atributos dos professores contribuíam para esse tipo de incentivo, pesquisadores aplicaram questionários traçando um perfil dos professores e seu impacto nos alunos. A partir das características levantadas, montaram aulas teste, nas quais tais características eram introduzidas ou retiradas, e os alunos avaliados após cada uma. E as que se mostraram mais importantes para motivar intrinsecamente os estudantes foram, em terceiro lugar, clareza didática – evidentemente é importante que o sujeito entenda o que está sendo dito para ficar motivado. Em segundo, estímulo à autonomia do aluno – diversos estudos mostram que a autonomia é fundamental para bem estar, tomada de iniciativa etc. Mas em primeiro lugar ficou o entusiasmo do professor – transmitir conteúdos com empolgação, por professores que ensinam por prazer, não apenas pelo salário, é a forma mais eficaz para motivar estudantes.

No Dia do Professor, quando essa profissão tão essencial é lembrada, vale a pena refletir sobre esses dados. Afinal, o entusiasmo é mesmo contagioso. E o bom professor não ensina, mas ajuda a aprender.