Quem se lembra do filme O feitiço de Áquila? Não sei se era um romance com um quê de aventura ou o contrário, mas o casal protagonista era amaldiçoado de forma que durante o dia a mocinha se transformava num falcão, e à noite o seu pretendente virava um lobo, de maneira que eles nunca se encontravam. Para um casal é uma verdadeira maldição, como conversamos hoje no boletim Ideias no Ar, da Rádio Estadão.

Se uma pessoa matutina se casa com uma notívaga, há maiores chances da relação ser pior, com mais conflitos e menos momentos tanto para compartilhar as atividades de lazer como para debater temas importantes para o futuro do casal. E – obviamente – de haver menos sexo.

Os estereótipos da vida notura versus vida diurna parecem se confirmar quando se estudam esses hábitos. Quem acorda cedo e se sente bem pela manhã tem mais chance de ter bom desempenho escolar, relações mais estáveis e ser mais confiáveis. Já os que se dão melhor depois do pôr do sol tendem a ser mais criativos, inteligentes e, talvez não por acaso, beber mais.

Mas menos da metade das pessoas ficam num desses extremos – cerca de 30% dos sujeitos se considera matutino e pouco mais de 15% se declara notívago convicto. A maioria da população acaba se encontrando no meio do caminho entre a manhã e a noite, tendo mais sorte do que o enfeitiçado casal, que nem na alvorada conseguiam se tocar.