A estarrecedora notícia da tentativa de homicídio do urologista vice-diretor do hospital Sírio-libanês, Anuar Ibrahim Mitre, seguida de suicídio do criminoso, um ex-médico, chama atenção por ser uma exceção dentre uma modalidade de crime já bastante rara.

O homicídio seguido de suicídio acontece numa taxa relativamente estável ao longo dos anos em diversos países, com menos de 1 caso para cada 100.000 habitantes. E na maioria das vezes trata-se de um familiar matando outro, quase sempre o homem matando a mulher, filhos ou ambos. Os crimes fora do contexto familiar ou amoroso (por ciúme ou abandono) não chegam a 10% dessas incomuns tragédias. Por isso mesmo são crimes muito difíceis de prever e prevenir. Do pouco em comum entre eles, sabe-se que são praticamente 100% das vezes cometidos por homens e com armas de fogo. O uso de álcool e drogas é mais raro do que nos homicídios simples, mas quadros depressivos não tratados são mais frequentes: entre um a dois terços dos criminosos apresentavam depressão de acordo com os estudos. Surpreendentemente, só uma minoria desses perpetradores tem histórico criminal anterior à tragédia.

No caso atual parece haver um componente de vingança, provavelmente uma sensação de injustiça intolerável parte do criminoso motivando seus atos. Não temos detalhes do que seria ainda. Mas novamente fica claro que a facilidade de acesso à arma de fogo é sempre um dos fatores de risco nas mais variadas formas de tragédias.

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Eliason S (2009). Murder-suicide: a review of the recent literature. The journal of the American Academy of Psychiatry and the Law, 37 (3), 371-6 PMID: 19767502