BBB22/divulgação

Por que a gente gosta de ver um conflito? – foi uma das perguntas que mais me fizeram desde que estreou o Big Brother Brasil 2022. O público andava reclamando nas redes sociais de que estava faltando briga, estava ficando chato acompanhar o clima de pacificação que reinava entre os participantes.

Na verdade não são exatamente as brigas que nos atraem, são as emoções. Esse conjunto de reações físicas, mentais e comportamentais já vem pré-programadas em nossos cérebros para ser acionadas em situações importantes para nossa sobrevivência, para bem ou para mal. Emoções positivas nos fazem querer repetir aquela situação – prazer físico, satisfação, acolhimento, segurança, passamos a vida atrás dessas coisas porque elas são recompensadoras. Emoções negativas sinalizam o que devemos evitar: ameaças, riscos, insegurança, carências, sendo então desagradáveis.

Na ficção ambas têm apelo: as positivas são agradáveis de compartilhar, enquanto as negativas são vivenciadas num ambiente seguro – como ocorre nos filmes de terror e suspense ou parques de diversão – e trazem um inesperado e agradável alívio uma vez resolvidas.

Situações corriqueiras não despertam emoções – por isso vamos levando os dias em banho-maria, meio que no automático. Para fugir do tédio que seria essa constância nós inventamos passeios de fim-de-semana, jantares especiais, comemorações, esportes radicais, livros, filmes; mas precisamos de estabilidade, livres de altos e baixos, para dar conta do trabalho, família, obrigações. As emoções na vida real são apenas polvilhadas aqui e ali para a rotina funcionar.

Para um programa de TV essa fórmula é péssima. Obras que visem nos entreter precisam captar constantemente nossa atenção, despertando o interesse de maneira contínua e não apenas eventual, como na vida. Caso contrário os episódios se tornariam modorrentos, arrastados entre uma alta emocional e outra, perdendo audiência nos longos platôs entre esses picos.

Imagino que um dos problemas atuais seja o tribunal da internet e a cultura do cancelamento, que fazem os brothers e sisters terem medo de provocar emoções negativas demais e acabarem prejudicados em sua vida fora da casa. Ficam todos tentando ser os mocinhos, portanto, não sobrando ninguém para vilão. O dilema é que sem vilão, não há mocinho. E sem bem versus mal, o público reclama de não ter por quem torcer.

A solução pode ser uma figura na qual a ficção tem investido pesado atualmente: os anti-heróis. São aqueles personagens que nos cativam por serem intensos, carismáticos, ao mesmo tempo egoístas e interesseiros. Não são vilões, mas suas ações, mesmo as boas, revelam tanto suas virtudes, como seus (vários) defeitos.

Se eu estiver certo o vencedor dessa edição será alguém com esse perfil. Façam suas apostas.