A essa altura você já deve ter ouvido falar da dieta mediterrânea. É aquela proposta de cardápio baseada nos hábitos de consumo dos povos situados ao redor do Mar Mediterrâneo, como gregos, espanhóis e italianos, sobretudo ao sul do país. Ela sugere o grande consumo de óleos vegetais, frutas, legumes, grãos integrais, consumo moderado de peixe, queijo, iogurte e vinho, e baixo consumo de carne. Vamos tratar dela na coluna Ideias no Ar, da Rádio Estadão.

O problema é que as recomendações dietéticas são tão fugazes que às vezes temos a impressão de que o alimento saudável de hoje é o vilão de amanhã. Atualmente, por exemplo, já não sei se o ovo faz bem ou mal. Mas há um motivo pelo qual a dieta do mediterrâneo me chamou atenção: um grupo de universidades da Espanha resolveu fazer um dos maiores estudos desse tipo de que já ouvi falar. Dividindo milhares de pessoas com alto risco cardíaco pelo país todo em dois grupos, um recebendo a dieta mediterrânea, outro com dieta com pouca gordura, os cientista as vêm acompanhando ao longo dos últimos dez anos, e os resultados têm mostrado diferenças importantes entre um simples regime e os hábitos mediterrâneos de alimentação.

Para além dos modismos, portanto, essa parece ser uma dieta baseada em evidências. Um estudo recente reuniu e analisou vinte e dois trabalhos científicos publicados sobre o tema. Além dos benefícios cardíacos terem sido comprovados, o que era o foco do grande estudo espanhol, outros achados foram significativos. As pessoas que se submeteram à dieta mediterrânea apresentaram menor declínio cognitivo com o tempo, ou seja, mantiveram as funções intelectuais preservadas por mais tempo, e também apresentaram menor índice de depressão, com riscos até 30% menores. Mesmo a adesão parcial à dieta parece trazer benefícios nessas áreas. Acidentes vasculares cerebrais e demências, principalmente Alzheimer, também foram reduzidos.

A ciência avança, claro, e as recomendações podem mudar. Mas os resultados até aqui parecem sólidos o suficiente para recomendar com segurança que há benefícios claro em comer como os gregos e espanhóis.

Psaltopoulou T, Sergentanis TN, Panagiotakos DB, Sergentanis IN, Kosti R, & Scarmeas N (2013). Mediterranean diet, stroke, cognitive impairment, and depression: A meta-analysis. Annals of neurology, 74 (4), 580-91 PMID: 23720230