O preconceito é um dos principais obstáculos enfrentados por qualquer paciente – a doença, seja qual for, traz consigo um caráter estigmatizante, maior ou menor. No caso das doenças mentais, maior.

Diversas maneiras de combater o preconceito vêm sendo propostas ao longo dos anos, mas uma das mais eficientes é baseada na hipótese do contato. Segundo essa ideia proposta na década de 50 pelo psicólogo Gordon Allport, o contato interpessoal é uma das melhores formas de reduzir o preconceito entre grupos maioritários e minoritários.

A estratégia por trás de iniciativas como o Dia Mundial da Síndrome de Down, comemorado dia 21 de março, trabalha com essa teoria. Promovendo eventos, debates, apresentações, envolvendo pessoas com Síndrome de Down e seus familiares, permite que a sociedade tome mais contato com a síndrome, conheça os seus portadores e enxergue seu potencial, consequentemente, reduzindo a visão preconceituosa sobre eles. Mesmo o contato indireto, como o promovido pelo aclamado filme brasileiro Colegas, protagonizado por atores com síndrome de Down, são importantes nessa luta.

Numa revisão ampla da literatura científica, os resultados dos diversos estudos que promoveram a interação com pacientes psiquiátricos mostram que, de fato, colocar pessoas em contato com portadores de transtornos mentais é uma ferramente valiosa para diminuir o estigma.

A agenda das atividades do Dia Mundia da Síndrome de Down é ampla (confira aqui). Mesmo que não puder participar divulgue. O preconceito é um obstáculo tão grande que só todos juntos conseguiremos derrotá-lo.

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COUTURE, S., & PENN, D. (2003). Interpersonal contact and the stigma of mental illness: A review of the literature Journal of Mental Health, 12 (3), 291-305 DOI: 10.1080/09638231000118276