A recente sequência de notícias envolvendo desastres urbanos, como o acidente no Itaquerão, o descarrilhamento do trem de Nova York e os desabamentos em construções na em agosto na zona leste e ontem em Guarulhos, traz à tona o importante tema das reações do organismo diante desses eventos.

A nossa biologia está programada para disparar um alarme diante de sinais de ameaça, deixando-nos alerta e prontos para fugir ou lutar. A adrenalina liberada em nosso sangue faz o coração acelerar, a respiração ficar mais rápida, os músculos tensos e desvia o sangue do sistema digestivo para os músculos. Isso pode levar a sintomas como tremores, tontura, diarreia e boca seca por exemplo. Alguns reflexos dessas reações do organismo podem levar as pessoas a ter sintomas durante horas, às vezes até alguns dias, como suadores, crises de pânico, ondas de calor, além de lembranças desagradáveis sobre o acidente. Essa reação aguda ao estresse é passageira.

Mas uma parcela dessas pessoas – algo próximo de um quarto delas, mais ou menos – alguma semanas depois começa e ter sintomas mais graves, como uma sensação de alerta constante, que as deixa incapazes de relaxar por um minuto sequer; desenvolvem uma sensação de apatia, quase como uma anestesia emocional, com indiferença com relação a tudo e todos; e passam a ter flashbacks, lembranças muito intensas sobre o acidente, que disparam a mesma reação de fuga-ou-luta como se o evento estivesse acontecendo novamente. É o que ocorre no estresse pós-traumático.

Embora possa trazer consequências graves para as pessoas que desenvolvem esse problema, é importante ressaltar que ele tem tratamento, e que os resultados da combinação de medicamentos e terapias pode ser eficaz tanto no alívio de sintomas como na melhora da qualidade de vida. Esse, afinal, deve ser o objetivo de todo atenção à saúde.