“Todo mundo tem direito às próprias opiniões, mas não aos próprios fatos.”

Que frase mais apropriada para encerrar o ano. Dita pelo sociólogo Daniel Patrick Moynihan, ela é citada no novo livro da dupla freakonomics, “Pense como um freak”, lançado esse ano pela editora Record. Talvez um dos livros mais importantes do ano. Não estou exagerando.

Um dos grandes problemas dos acalorados e estéreis debates que vêm ocorrendo, não só no Brasil “dividido” mas no mundo todo, vem da dificuldade que as pessoas têm de diferenciar opinião de conhecimento. Opinião é um palpite sobre como as coisas são, conhecimento é quando tal opinião não só é verdadeira, mas com uma justificativa tão racional que supere pontos de vista, ideologias, preferências. Muito dos debates acontecem porque, crendo que suas opiniões são fatos, as pessoas envolvem-se em raciocínios falaciosos, buscando apresentar essa necessária justificativa, mas que nesse caso nem existe. A conversa torna-se um diálogo de surdos, que não ajuda a esclarecer a questão nem tampouco favorece reflexão ou a construção (e quiçá mudanças) de opinião.

Em “Pense como um freak” Steven Levitt e Stephen Dubner resolvem expor o método por trás de seus best sellers anteriores, Freakonomics e SuperFreakonomics, permitindo que todas as pessoas desenvolvam esse tipo de raciocínio. E qual é ele? Simples: questione. Tenha coragem de questionar não só o establishment, mas suas próprias opiniões. Será mesmo que você está certo? Mais do que isso: teste. A “abordagem econômica” que eles propõe aplicar aos vários domínios da vida nada mais é do que a busca de dados concretos, garimpando pepitas de conhecimento no lamaçal das opiniões. Só pensar, influenciados por pré-concepções que nem sabemos ter, pode não levar a nada. Lembremos da advertência de Willian James, segundo quem muitas pessoas acreditam estar pensando, quando estão apenas reorganizando seus preconceitos. Ou seja: abrace a dúvida. Como eles mostram no livro, a variável que mais leva as pessoas a errar é o dogmatismo – a certeza é inimiga do aprendizado.

Permito-me acrescentar uma dica própria, complementar ao método freak: pesquise. Você não pode passar a vida criando experimentos para pôr à prova todos conceitos que precisa ou quer formar. Mas muita pesquisa é feita no mundo. Muita, você não não imagina. Então, antes de sair dizendo que o casamento gay é prejudicial ou não para os filhos, que a legalização da maconha é boa ou ruim, que a essa ou aquela idade penal é um absurdo, que cadeias são universidades do crime, que cotas raciais são positivas ou negativas, dê uma olhada nas pesquisas que já foram feitas. Mas o faça com coragem de encontrar fatos que contradigam sua opinião. Porque se você já tem uma posição muito firme sobre determinado assunto, nesse caso, não perca tempo. Pensar seria desperdício de energia.

Aproveito para desejar a todos um 2015 muito bem pensado!