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“Não é para tanto”.

“Foi para melhor”.

“Pare de chorar, um dia você ainda vai rir disso”.

Se você nunca falou uma frase como essas pode parar de ler. Mas se, como eu e a maioria das pessoas, você já tentou consolar alguém desviando o foco do problema, minimizando a situação ou tentando forçar uma mudança de perspectiva, é hora de rever essas estratégias.

A bem da verdade nem precisaria dizer que elas não funcionam – basta observar a experiência contrária. Quando ouvir isso de alguém aliviou nosso próprio sofrimento? Ainda assim, na aflição de ajudarmos os outros frequentemente recorremos a elas por não saber o que dizer.

Bem, agora sabemos.

Um estudo recente mostrou que esse tipo de frase além de ser inútil por não conseguir forçar ninguém a rever as situações adversas ainda gera uma reação conhecida como reactância psicológica – aquela sensação desagradável que temos quando sentimos que alguém está tentando mandar em nós. É como se esse tipo de consolo fosse ouvido como uma ordem: “Não sinta isso. Sinta aquilo”.

A saída é validar o sentimento alheio, focando as mensagens na pessoa do interlocutor. Quanto mais pessoais e empáticas, mais eficazes no suporte emocional. “Puxa, isso realmente é para deixar com raiva”. “Que pena essa notícia, natural você ficar triste”. “Caramba, assustador, hein? Dá para entender por que você ficou com medo”. Ao ouvir frases como essas a pessoa nota que suas emoções não estão fora de lugar e se sente amparada.

Num dos episódios do hilário seriado Parks and Recreation o personagem Chris Traeger, um executivo que maquia sua angústia com um otimismo excessivo, parece incapaz de lhe dar suporte a sua esposa (olha o spoiler) Ann Perkins quando ela engravida. Sempre que ela comenta sobre inchaços, dores ou falta de ar ele oferece uma solução entusiasmada, que embora carinhosa sufoca a esposa ao desqualificar, ainda que involuntariamente, seu sofrimento. Só quando Ann desabafa com amigos e esses dão uma dica para o marido é que ele aprende a realmente a consolar. Na próxima vez em que ela se queixa de algo ele simplesmente senta-se ao seu lado e diz: “Que saco isso, hein?”. Ann sorri aliviada, com a sensação de ter sido finalmente compreendida.

Pode parecer estranho, mas, paradoxalmente, é só quando não nos mandam parar de sentir alguma coisa que esses sentimentos encontram uma porta de saída.

Xi Tian, Denise Haunani Solomon, Kellie St.Cyr Brisini, How the Comforting Process Fails: Psychological Reactance to Support Messages, Journal of Communication, Volume 70, Issue 1, February 2020, Pages 13–34