Steve Jobs sabia que tinha revolucionado diversas áreas da sociedade, desde a forma como nos relacionamos com a música até jeito de lermos livros, mas morreu sem ver a transformação que os aparelhos da Apple prometem trazer para o estudo da cognição humana.

No mês passado foi publicado um trabalho inédito, que utilizou um aplicativo disponibilizado na iTunes App Store para avaliar o tempo de resposta a estímulos léxicos. Esse é um teste clássico, no qual o indivíduo deve responder, o mais rapidamente possível, se determinada sequência de letras é uma palavra (ex.: MESA) ou não (ex.: MISA).

Até aí nada de novo.

Mas como dá muito trabalho (e gera custos) convencer as pessoas a saírem de suas casas ou de seus trabalhos, irem até a universidade, esperarem para ser finalmente avaliadas com aparelhos capazes de medir com precisão seu tempo de reação, a novidade foi que, utilizando essa base de voluntários Apple-maníacos, que podiam baixar de graça o aplicativo e depois voluntariamente enviar os resultados por e-mail, os pesquisadores reuniram em quatro meses a mesma quantidade de dados que havia levado mais de três anos no modelo tradicional (4157 participantes). Mais do que isso, os resultados não foram diferentes daqueles colhidos em laboratórios, com todas as condições controladas.

Embora eu não seja um dos fãs incondicionais da Apple ou do Jobs que fecham os olhos para os seus defeitos, não posso negar que o homem era visionário. A tal ponto que os ecos do seu trabalho continuarão a ser ouvidos muito tempo após sua partida, como parece mostrar esse estudo.

ResearchBlogging.org Dufau, S., Duñabeitia, J., Moret-Tatay, C., McGonigal, A., Peeters, D., Alario, F., Balota, D., Brysbaert, M., Carreiras, M., Ferrand, L., Ktori, M., Perea, M., Rastle, K., Sasburg, O., Yap, M., Ziegler, J., & Grainger, J. (2011). Smart Phone, Smart Science: How the Use of Smartphones Can Revolutionize Research in Cognitive Science PLoS ONE, 6 (9) DOI: 10.1371/journal.pone.0024974