Dinheiro não traz felicidade. A frase é tão batida que corria o risco de perder completamente seu impacto. Isso se não tivesse sido proferida pelo Papa Francisco, que com seu carisma tem conquistado simpatias a torto e a direito, e trouxe frescor para um conceito no qual nunca é demais pensar.

“Sentimo-nos tentados a colocar a nós mesmos no centro, no centro do universo. A crer que somos somente nós que construímos a nossa vida, ou que ela se encha de felicidade com o possuir, com o dinheiro, com o poder. Mas não é assim! É verdade, o ter, o dinheiro, o poder, podem gerar um momento de embriaguez, a ilusão de ser feliz. Mas, no fim, são eles que nos possuem e nos levam a querer ter sempre mais, a nunca estar saciados. É muito triste ter uma vida saciada, porém débil”.

Estudos de diversas áreas da ciência, com os mais variados desenhos, já comprovaram as palavras do pontífice. Um dos mais emblemáticos foi uma pesquisa correlacionando o grau de satisfação com a vida das pessoas e o PIB per capita dos seus países. Espanta sempre descobrir que ganhos acima de US$13.000,00 por ano não apresentaram relação com maior felicidade. É sempre incômodo saber que muitas vezes perdemos mais tempo para ganhar mais dinheiro – que não nos fará felizes – deixando de aproveitar os momentos – o que sabidamente nos traria mais felicidade. Outra pesquisa significativa comparou o grau de satisfação de voluntários que ganharam dinheiro e foram divididos em dois grupos: o primeiro podia comprar o que quisesse, o segundo tinha que usar a verba com outras pessoas. Nem precisa dizer que o segundo grupo ficou significativamente e mais feliz.

Como colocou o papa, “ter” traz de fato uma satisfação, mas ela é transitória. A cada conquista material nosso cérebro tem uma descarga do neurotransmissor dopamina, que marca a importância daquele evento e nos leva a tentar repeti-lo. Mas se tomamos essa sensação como um fim em si mesma ficamos presos num círculo vicioso, “nunca saciados” como ele disse, já que estaremos constantemente em busca dessa repetição.

É claro que não existe fórmula que garanta a felicidade. Mas nos lembrando de algumas coisas que sabidamente não funcionam, o Papa Francisco já deu uma boa ajuda.