“Cacos”, meu novo livro de microcontos, está em pré-venda.

 

(Microlux)

Até 2013, quando lancei a novela policial “Damas turcas” (Global), tentei ser um autor de narrativas longas.

Dali para frente fui percebendo que o meu fôlego se adequava melhor à atividade de fundista do que a de maratonista.

Passei a investir meu tempo na crônica, no aforismo, na poesia e nas micronarrativas.

Sempre li Dalton Trevisan, Augusto Monterosso e José Paulo Paes, mas a ficha só caiu há oito anos. Foi por essa época que comecei a colecionar minhas próprias narrativas breves. E agora, selecionei 101 desses microcontos, e estou lançando o livro Cacos (Microlux).

José Eduardo Degrazia, poeta, ficcionista e tradutor, conceitua, de forma límpida, minha proposta literária no prefácio:

… nessa tradição entre o humor e o terror, e a comédia de costumes, se inscreve os minicontos e microcontos de Carlos Castelo.

Ainda sobre “Cacos”, Gregório Duvivier destaca na orelha do livro:

Cortázar dizia que o conto tinha que vencer por nocaute. O microconto, nessa metáfora, tem que vencer no tiro. Já não é boxe, mas um duelo de faroeste. Castelo, exímio franco-atirador, se especializou nessa modalidade específica de literatura: se um romance é uma maratona, o microconto são cinquenta metros rasos. Carlos convoca todos os músculos da palavra pra chegar o mais rápido possível na linha de chegada. Tende-se a considerar este gênero mais fácil, por ser mais rápido. Mas é preciso muito tempo pra conseguir ser veloz. O atleta pode levar muitos anos pra chegar um segundo mais cedo. A crítica costuma preferir os romances longos, que conferem inteligência a quem lê. A narrativa curta, seja ela a crônica, o esquete ou o microconto, costuma ser tratada como frívolo divertimento. Mas se escrever é cortar palavras, como dizia Drummond, o microcontista é um vencedor – chegou no apogeu da sua arte. Pra trazer pra um esporte mais caro a nós, brasileiros – prometo que é a última metáfora esportiva – este livro que você tem em mãos só tem chute a gol. Carlos estuda há muitos anos a arte da bola parada e se tornou uma espécie de Juninho Pernambucano literário. Em meio-segundo a bola que estava no chão, de repente, estufa o filó da rede – e fica difícil entender como se operou o milagre do teletransporte. Nada pode sobrar, nem faltar. Muita força pode jogar a bola na arquibancada, força de menos pode jogá-la na barreira. Mas já estou me alongando: vamos agora aos gols do fantástico.

Diante dessas apresentações tão cristalinas, só me resta pedir ao leitor que junte os cacos da obra e construa a sua própria realidade.