Pensamentos para abrir 2019.

(British Library)

2018 foi bom pra cachorro. Mas não pra mim. Comecei ganhando na megasena uma bolada. Depois tive aquela saidinha com a Gisele Bündchen, em seguida com a Anne Hathaway e a Angelina Jolie. Nada demais pra quem o ano passado pegou a Liv Tyler. Em maio, investi em petróleo no Pré-Sal. A Chevron comprou minhas ações na alta em setembro, deu para lucrar um pouco. A Oprah encheu meu saco todos os dias pra que eu lhe desse uma exclusiva. Até veio em casa, mas a indiquei ao Paulo Coelho, que está meio fora da mídia e precisa de um pouco de public relations. Um ano lamentável. Passei 2/3 dele em St. Barth na companhia de Mick Jagger e Keith Richards, aqueles velhos papos de heroína de sempre, enche o saco. Fora que chegou o pessoal do The New York Times – sempre eles – e passaram a me assediar em plena areia. Logo veio a habitual ciumeira do Mick e acabei me mandando da praia. Fui pra minha casa na Suíça. Pretendia escrever um livro de memórias. Apareceu lá o Kevin Spacey, megamagoado com o tratamento que o Netflix tem lhe dado. Pediu uma ajuda financeira pra produzir um documentário sobre o que houve, de fato, na vida dele. Disse que o financiava, no entanto pedi que mentisse um pouco, senão o filme vira um X-Video. Quando volto ao livro me liga o Trump. Me convidando para ser seu secretário de Estado. Fiz uma piada sobre o nariz de periquito do Henry Kissinger e desliguei o telefone. Melania, na sequência, me manda uma mensagem no whats dizendo que “o Don fica triste quando você o trata assim”. Ignorei. Agora chegou 2019 e vejo que não fiz nada de interessante. Dei uma pausa na minha autobiografia e, enquanto as coisas não melhoram, vou compilando alguns pensamentos:

– Ficaremos séculos sem ler. Mas, se um dia, um homem pegar um livro, a vida começará de novo.

– Sou a favor da pena de morte para verdugos.

– No passado, nosso futuro era mais presente. 

– Quando o cavalo vacila o passo, tem lobo no pasto.

– Selfie: prêt-à-portrait.

– Se o homem fosse imortal, não teria inventado nem o apito.

– O espelho vive de aparências

– O Brasil não é o país da piada pronta. Pra isto, teria primeiro que ser um país.

– Se ofendi você em 2018, seja qual for o motivo, aceito suas desculpas.

– Um país de cegos, governado por mudos com trilha sonora de surdos. 

– Os livros menos comprados por mim são os mais vendidos.

– Não fale ao celular na direção, use o bocal.

– Ame seus vizinhos, mas evite falar com eles.

– Cães e gatos são animais de estimação; filhas e filhos, animais em extinção.

– Professor: indivíduo que não sabe nadar e dá aulas de natação.

– Eu não sou paranoico. É o mundo inteiro que fica dizendo.

– Se hoje o melhor amigo do homem é o celular, alguma merda o cachorro fez.

– O passarinho canta não porque faz parte de uma cena musical, canta porque é cantor.

– É incrível a força que a jequice tem, quando ela precisa acontecer.