“Há muitos malucos por toda a parte, até mesmo nos manicômios”.

(Jules Renard)

 

(Arte: Pixabay)

O Brasil pode estar sozinho na geopolítica mundial. Mas está muito bem acompanhado quando o assunto são lideranças políticas esdrúxulas. O comportamento de muitos chefes de Estado do passado, no entanto, prova que não é nada incomum mandachuvas serem completamente loucos.

Veja-se o faraó Pepi II, que governou o Egito há 4.300 anos por 94 anos. Tinha pânico de moscas. Era tanto o horror que besuntava mel em seus escravos para que ficassem mais palatáveis aos insetos. Um típico perfil unilateral, sem dúvida. Apesar de que os egípcios, revelam as pinturas, nunca foram bilaterais.

Justino II, imperador de Bizâncio, em 565 d.C, não ficava longe desse faraó. Ouvia vozes e escondia-se embaixo da cama. Também costumava morder a cabeça de quem passasse por perto. Para evitar que o rei cometesse atos ainda mais delirantes, os servos o sentavam em um trono com rodinhas e o levavam para correr no entorno do palácio. A outra maneira de acalmá-lo era tocando órgão.

Tocar órgão, aliás, agradava  Cristiano VII, rei da Dinamarca de 1766 a 1808. Desde que o instrumento fosse sua genitália. O monarca desenvolveu uma insólita paixão pelo próprio pênis. As suas masturbações eram tão repetidas que acabaram atrapalhando os despachos reais. Fora, provavelmente, a desagradável presença de pelos nas mãos.

A insanidade de um poderoso afetar a cultura de um povo é algo que conhecemos bem. E já teve ocorrência no passado. O imperador chinês Gaozu (202 – 195 a.C.), por exemplo, não acreditava em Educação. O problema é que, a maioria dos estudantes da época, era seguidor de Confúcio, o grande pensador e filósofo. Eles andavam pelas ruas usando chapéus pontudos. Gaozu ficava tão surtado ao enxergá-los, que rasgava os chapéus e urinava em cima. O golden shower, como veem, também não é de hoje.

Outra demência bastante familiar aos brasileiros é a perseguição pelos poderosos de seus detratores. Só que isso também já estava lá na Roma Antiga.

O imperador Domiciano, que governou de 51 a 96 d.C, era tão impiedoso que, às vezes, convidava seus inimigos para jantar, mandava-os para casa e, na manhã seguinte, os executava. E tinha um diferencial lembrado até hoje: curtia assistir lutas greco-romanas entre mulheres e anões. Nesse quesito progredimos um pouco com o advento do MMA e do vale-tudo.

Por fim, o mais insano de todos talvez tenha sido o rei Carlos VI – ah, sempre os Carlos…

O xará, que governou a França de 1380 até 1422, tinha o hábito de correr pelo castelo uivando como um lobo. Se algum par de França tentasse impedi-lo, logo gritava  – ou uivava?-  que era feito de vidro e podia se quebrar.  Tinha ainda episódios de esquecimento em que não se recordava do próprio nome.

Como puderam perceber, o Brasil está novamente apenas imitando os países mais antigos que ele. Todavia, com o que estamos presenciando atualmente na esfera política, temos grandes chances de superá-los.