Antologia satiriza os tempos bárbaros de 2020

(Divulgação)
Com vocês,  a apresentação do livro ‘Rindo de Nervoso’, organizado por Érika Batista e Rodrigo Domit.
A antologia traz 20 contos que ironizam os tempos bolsominions com humor e criatividade.
No meio deles tem até um texto meu. Aqui, na faixa, o PDF da obra para os leitores do Crônica por quilo.
Divirtam-se, mesmo em pânico.
“A gente percebe a que ponto o Brasil chegou quando sites criados para postarem notícias ficcionais absurdas começam a perder a graça por não conseguirem competir com a realidade em nível de surrealismo. Mas, como dizia aquela velha propaganda ao som da música do Raul Seixas, “o brasileiro não desiste nunca”, e já surgiram por aí artistas de diversas artes correndo atrás do prejuízo para nos devolver o riso.
Da charge ao deepfake, passando pelo meme e a paródia, novas obras pululam todos os dias na internet ajudando-nos a aliviar a tensão gerada pela somatória de uma pandemia com um desgoverno, e provando mais uma vez que rir é o melhor remédio. A ideia de uma antologia que ironizasse o Brasil atual surgiu quando percebemos que os escritores tampouco estão silentes e vêm tentando cumprir seu papel de médicos-cômicos, nem que seja para si mesmos e um pequeno círculo de amigos, escrevendo para desabafar, vingar-se dos algozes como sabem melhor. Dispersas, porém, suas vozes não chegariam longe e não atingiriam seu máximo potencial libertador.
A antologia Rindo de Nervoso surgiu justamente para preencher esse vácuo, qual seja, a falta de um “megafone” para as vozes dos literatos nacionais. Ela reúne sátiras curtas que, expondo o ridículo da atual realidade brasileira com precisão e estilo, mostram, por vários ângulos, quão nu está o rei — e, honestamente, parte do povo também. Do mercado financeiro à cegueira dos espiritualmente iluminados, nada escapa aos olhos dos nossos satiristas, que expressaram as várias incoerências encontradas numa igual variedade de vozes. A paranoia anticomunista, o anti-intelectualismo reinante, o tratamento desigual de iguais ou a equiparação indevida de desiguais — tudo isso encontra expressão neste livrinho, que nos transportará muitas vezes do riso culpado à franca gargalhada. E se a gargalhada do povo puder quebrar o encanto que ainda pesa sobre parte dele, tanto melhor.”