Um detalhe animista pode mudar nossa sorte.

(Colorizada por Dana Keller)

A ideia pode parecer esotérica e supersticiosa. Contudo, para um país que conta com Paulo Coelho, Malafaia e Edir Macedo, tudo o mais está embasado num sólido materialismo.

Por isso, depois de muito analisar a situação de nossa terra, concluí: talvez um detalhe bobo possa estar faltando para que ela, afinal, entre nos eixos.

Historicamente tivemos a Anistia, as Diretas, a Constituinte, a nova Constituição, os impeachments, e nada da coisa melhorar.
Quem sabe não seja um pequeno detalhe animista no presidente da república? Uma coisinha de nada, que não esteja bem sintonizada com as vibrações universais.

Raciocinei mais durante um bom tempo. Agora caiu-me a ficha. Divido com você, leitor amigo.

E se o presidente deixasse a barba crescer? Mas não uma barba qualquer. Uma longa e espessa barba, caindo por sobre o peitoral.

Para começar, uma barba assim dá um tom de respeitabilidade em quem a usa. E, convenhamos, o nosso chefe de Estado não tem nenhuma. Claro, há exceções, como Papai Noel, mais desacreditado do que cloroquina.
Mas o bom velhinho – ao que me consta – é um santo (ou santa), não um político do baixo clero.

Só nesse aspecto já teríamos um primeiro mandatário mais aceitável. Ali estaria Jairzão, o presidente das vastas barbas.

Digam-me: o que não consegue uma grande mandíbula peluda? Fez a fama de Fidel Castro, Tio Sam, Rasputin, Henrique VIII, Enéas. Por que não faria a do que agora ostenta o poder no Brasil e em Rio das Pedras?

Vocês devem estar se perguntando, por que uma barba e não um bigode? Seria essa massa de pelos menos digna?
Bem, tivemos experiências não muito distantes no tempo com um presidente bigodudo. Pior, um presidente que tingia a bigodeira. Pergunto: quem leva a sério um cidadão que pinta a taturana de acaju? Nem o mordomo do palácio.

– Jaime, o presidente quer chá e pão com preservê de frutas silvestres.

– Saindo um chá de losna e um pão na canoa com margarina pro Escovão!!

O mesmo poderia se dizer do cavanhaque. Não traz felicidade aos políticos. Peguemos o caso de Trótski. Usava aquele cavanha quando levou a picaretada nas ideias. Isto porque estava de férias no México. Imagine o que aconteceria a um presidente com um índice de popularidade tão polarizado, num país praticamente falido. Botaria um cavanhaque e uma motoniveladora passaria por cima dele.

Sem dúvida, a barba longa é a melhor opção. Daria a sensação de que alguma chave virou, de que não há mais estagnação numa administração onde nada acontece. E, quando acontece, é fake news.  Tudo isso, sem a necessidade de fazer reformas políticas traumáticas, baixar nenhuma CPMF, nada.

Pensem no seu presidente entrando em cadeia nacional de TV, terno azul Trump, o estandarte ao fundo e…barbadaço. No dia seguinte, ninguém mais falaria em estagflação, em milícias, em Covid-19. Só na rama do Messias.

Se todos meus argumentos não forem suficientes, deve-se pensar o seguinte: que outro governante brasileiro é lembrado com mais carinho de que Sua Alteza Imperial Barbada Dom Pedro II? E, olha, o reinado dele terminou há 131 anos. Está na hora de alguém botar as barbas de molho, não?