Diálogos no interior de um livro de crônicas.

Arte: The Graphics Fairy.

– Gente, tem alguém vindo aqui pra estante!

– Fala, Capa, beleza? Aqui é a Orelha. Você e a Quarta Capa são os que têm as melhores condições de informar como está o lançamento do livro Dele. Manda news!

– Claro que a gente vai dizer tudo o que está rolando. É ou não é, Quarta?

– Tamo junto, Primeira.

– Pessoal, maravilha? É o Prefácio. Putz, está me batendo a maior adrenalina.

– Calma, Prê, aqui na orelha tem muito menos informação do que em você, mas a gente fica nervoso mesmo nessas horas.

– É, mas tô alterado assim é de vergonha alheia, sabe? Quero mais é que o Autor se dane.

– Caraca, é mesmo? O que foi que deixou você revoltado assim? Pintou algum erro de revisão na sua apresentação do livro?

– Ah, se fosse erro de revisão…Mas sei lá, Orelha…ficar fazendo críticas ao Autor, e bem no dia do lançamento da obra dele, também não me parece uma coisa de bom senso.

– Ah, pode falar. As capas estão ouvindo, mas estamos todos na mesma brochura.

– Bom, o que me chateia é o exagero.

– Entendo o ponto de vista. Ser Prefácio é uma tremenda de uma responsa, né? Posfácio é mais sussa. Tem gente que nem percebe que tem no livro.

– Pois é. E, pra completar, o sujeito que me escreveu falou que esse cronistazinho pé de chinelo é uma raridade nas letras nacionais.

– Sério?

– Sério. O Autor teve que pagar essa edição, em papel de quinta categoria, do próprio bolso. Senão nenhuma editora decente ia lançá-lo. C’est l’horreur

– Gente, gente! É a Quarta Capa!

– Fala, garota.

– A Imprensa chegou! O Autor está dando entrevista pro canal no Youtube de um influenciador de Literatura!

– É o que te dizia, Orelha: o lance desse Autor é o marketing pessoal, as igrejinhas que ele frequenta. Posso falar de cátedra, já fui prefácio de Fernando Sabino, de Paulo Mendes Campos. É outra categoria de cronista.

– Diz aí, turma, é o Colofão. Tudo bem no lançamento lá fora? As capas falaram mais alguma coisa?

– Apareceu Fãofão? Anota aí: aqui fora tá começando a lotar, já tem uma filazinha em frente à mesa Dele. Chegou um crítico e estão servindo vinho branco.

– Ui, esse cheiro de Chardonnay vagabundo me enjoa o estômago. Bom eram os lançamentos de antigamente, tudo à base de espumante. Fora que autografava-se com caneta tinteiro, esse coitado aí aposto que está de Bic. Confere, Quarta?

– Confere, Prefácio. Bic Escrita Fina – preta.

Mon Dieu, quelle décadence