O buritiense que está revolucionando a saudabilidade dos paulistanos.

 

( Prawny por Pixabay )

Há controvérsias sobre a trajetória de Zé Arimateia em São Paulo. Ele veio para o sudeste, de Buriti dos Lopes, na seca de 1997. Logo arrumou emprego de coletor de lixo no Parque do Ibirapuera. De tanto ver gente correndo, andando de bicicleta e malhando enquanto varria o chão, começou a dar conselhos aos atletas.

Após um tempo, os frequentadores do Parque o apelidaram de personal trainer do Piauí. A demanda cresceu tanto que Arimateia teve que alugar uma sala comercial no bairro de Chora Menino, iniciando as consultas. O boca-a-boca aumentou. Até que, um dia, uma celebridade o procurou.

– Arimateia, você é minha salvação!

– Pois se abolete, se abolete, dona. E vá me contando…

– Malho sete vezes por semana. Faço quatro corridas de 42 quilômetros no asfalto e três de “spinning” na academia. Sábado e domingo ainda tem sessão extra na esteira de casa. Mas estou estranha demais…

– Tá de calundu, sinhora?

– Não, tô no período fértil. Mas, apesar de toda essa atividade física, tenho a impressão de que precisava malhar mais, muito mais. Nunca fico satisfeita…

– A madama merenda o quê?

– Dieta à base de aveia, iogurtes “light”, verduras, legumes, tofu e isotônicos. Mas não está revertendo meu estado ansioso, entende?

– Entendo, não. Mas compreendo, sim.

– O que faço então?

– A sinhora carece de comer bode: bode assado com farinha.

– B-o-d-e? É algum produto importado?

– É. Do Piauí.

– Mas eu como esse “b-o-d-e”, antes ou depois do treino?

– Coma durante suas carreira na rua. Faça um frito do bicho, com muito sal, e vá jogando us bucadim na goela. Dá sustança.

– Mas eu não vou ficar com sede? O que eu bebo quando parar a corrida? Gatorade?

– A madama mete uã lapada de cana do Cariri nos peito. Mas tem que ser a Cariri com K, num sabe?

– Pinga, depois do “jogging”? Nossa, que original o seu treino, Arimateia!

– Mas a cachaça é só pra evitar da dona ficá com durmênça nas costelas. Chegando em casa, perpáre um chá de fedegoso. Vá tomando, de meia em meia hora. De noite, antes de ir pra rede, beba duas xícra grande de leite-de-jumenta-parida. E pronto.

– Entendi.

– Tome tudim, gúti-gúti. Se sentir cansaço, bata sete veiz com o pano de um alfanje em seus quartos, uã pancada em cada nádiga. E vórte aqui no espaço de dois meiz, num sabe?

Pontualmente, 60 dias depois, uma celebridade até brilhosa de tanta gordura adentrava no conjunto de Arimateia.

Ganhara 19 quilos da mais pura adiposidade.

Arimateia indagou:

– E entonce?

– Perdi toda a vontade de correr. Tô na paz!

– De veras? – animou-se o “personal” do Meio Norte.

– Juro, Arimateia. Não saio mais do sofá. Acabou total aquela minha noia por corrida…

– Vixe Maria!

– … também acabou o casamento. Mas, pela primeira vez na vida, tô me virando sozinha. Você é tudo de bom, homem… Alterou meu eixo…

– Arre, égua!

Arimateia abriu a porta, mais 15 pessoas o esperavam no corredor. A mulher o agarrou pelo ombro:

– Só tô com um medinho: o que faço se me der aquela vontade de correr de novo?

Arimateia deu uma sonora gaitada. E arrematou:

– Se avexe não, siá! Cozinhe uma panelada com bucho de boi, tripa e mão-de-vaca. Coma um prato todim, com muita farinha d’água e chupe o tutano. Passa vontade de correr até em galinha-da-guiné. Agaranto!