Leia e leia-me.

 

(WikiImages por Pixabay)

Quando era adolescente, o escritor francês Marcel Proust, a pedido de uma amiga, respondeu à mesma série de perguntas que estão aqui. Todas sobre a sua personalidade. Daí a grande popularização e o nome Questionário Proust. Um leitor me enviou o famoso interrogatório. Seguem as minhas respostas.

Qual é a sua ideia de felicidade plena?

Felicidade não existe, o que existe são frases feitas como esta.

Qual é o seu maior medo?

Acordar metamorfoseado num inseto fascista.

Qual é a característica que mais detesta em si mesmo?

Ser eu mesmo.

Qual é a característica que mais detesta nos outros?

Como os outros são iguais a mim, desconfio deles.

Que pessoa viva mais admira?

Os zumbis, especialmente quando não estão mortos.

Qual é a sua maior extravagância?

Uma vez comprei uma ilha imaginária, de um livro de Jorge Luis Borges, e até hoje não paguei.

Qual é o seu estado de espírito mental?

Deplorável.

Qual considera ser a virtude mais sobre-estimada?

A idiotice, que hoje é considerada virtude.

Em que ocasiões mente?

Em todas em que não estou escrevendo ficção.

O que menos gosta na sua aparência?

Do prepúcio.

Que pessoa viva mais despreza?

Donald Trump, mas não estou certo se ele é uma pessoa.

Qual a característica que mais aprecia em homens?

Passo. Os homens hoje só têm lugar de fala no WC masculino.

Qual a característica que mais aprecia em mulheres?

Todas e mais algumas.

Que palavras ou frases usa excessivamente?

Porra.

Onde e quando foi mais feliz?

Como é que é, porra?

O quê ou quem é o maior amor da sua vida?

Ah, porra, sei lá.

Que talento mais gostaria de ter?

O de não repetir palavras, porra.

Se pudesse mudar uma característica em si, o que seria?

Não mudaria nada em especial, apenas minha personalidade.

Qual considera ser a sua maior conquista?

Não ter parado de responder a este questionário até agora.

Se morresse e voltasse, que pessoa ou coisa seria?

Um rabanete.

O que mais valoriza nos seus amigos?

A franqueza de admitirem que odeiam quando sou bem-sucedido.

Quem são os seus artistas favoritos?

Os que não fazem lives.

Quem é o seu herói da ficção?

Algum que eu não conheça.

Com que figura histórica mais se identifica?

Dercy Gonçalves.

Quem são os seus heróis da vida real?

Já ficou comprovado que a vida é mesmo real?

Quais são os seus nomes favoritos?

Bucetildes, Pelópidas, Hindenburgo e Cafiaspirina.

Do quê é que menos gosta?

Da minha biografia.

Qual é a sua aversão de estimação?

Sofro há anos de averterefobia: nojo de ter aversão a qualquer coisa.

Qual é o seu maior arrependimento?

Ter começado a responder a estas perguntas.

Como gostaria de morrer?

Completamente sem vida.

Qual é o seu lema de vida?

Nunca tenha um lema de vida.

Qual considera ser o seu maior infortúnio?

O nascimento.

Como gostaria de ser?

Exatamente como sou, mas sendo outra pessoa.

Qual é a sua asneira favorita?

O conto ‘Pele de Asno’, do livro ‘Mamãe Gansa’.

Onde gostaria mais de viver?

Num lugar sem pandemias.

Qual é o bem mais valioso que tem?

Um herpes bucal que me acompanha desde a adolescência.

Qual considera ser a maior profundidade da miséria?

Uma reunião de neonazistas patrocinada por neopentecostais.

Qual é a sua ocupação favorita?

Ficar desocupado.

Qual é a sua característica mais assinalável?

Não ter nenhuma característica assinalável.

Se Deus existisse, o que gostaria que Ele lhe dissesse?

“Em verdade vos digo, estais isento de pagar impostos até que morrais”.