(Ilustração: Vinícius Zumpano)

Depois das feminazi parece estar surgindo uma nova categoria reaça no país: o humorista nazista.

Como o humocomuna, abundante nos anos 1970-80, o humonazi presta um desserviço à galhofa. Humorista não é de direita, de centro ou de esquerda, é do contra. E revogam-se as disposições em contrário.

Chama a atenção no humonazi, no entanto, um aspecto. Como esses indivíduos são perturbados mentalmente usam seus textos e espetáculos de comédia stand-up como terapia. Todo aquele ódio que sentem por minorias, ou por qualquer um que não pense como eles, é canalizado para piadas ruins. Anedotas bisonhas que ele divide com seu público, ignorante e extremista feito ele.

Convenhamos, ser humonazi é uma excelente maneira de ficar bem na foto. Você cria esquetes propondo coisas disparatadas, como o uso de armas ou esterilização de desvalidos, faz um bando de beócios rirem de suas ideias estultas, e ainda ganha uma grana.

Infelizmente, o humonazi não atua apenas em palcos. Sua presença mais marcante é nas redes sociais. GIF’s, tuítes e memes com design de gosto altamente duvidoso e mensagens ainda mais sem noção – eis aí o que eles sabem fazer de “melhor”.

Há os que preferem o textão. E ali, sempre num tom acima de agressividade, lançam-se como hunos sobre seus alvos favoritos. Brotam pelas linhas piadas racistas, sobre pobres, atacando deficientes físicos, gays, travestis e tudo o que estiver no manual de redação de Goebbels.

Uma das especialidades do humonazi é o texto argumentativo onde defende a ditadura militar. Evidentemente são composições toscas, onde premissa não conversa com peroração. E peroração não dialoga com conclusão. Mas para que se preocupar com a construção de um discurso, quando quem o consome é uma piada? Piadas não analisam tentativas fracassadas de fazer piadas.

O mais triste, contudo, para mim, que escrevo textos de humor há mais de 30 anos, é ver colegas virando humonazi. É a mesma sensação de presenciar alguém da família tornando-se um zumbi. Sabe a cara que o sujeito do The Walking Dead faz quando vê a esposa arfando e querendo abocanhar seu fígado? Aquela doçura que passou a lua de mel com ele em Poços de Caldas, que com ele teve filhos, animais de estimação, dívidas, cotas de consórcios – sim, é esta a impressão.

Uma coisa é plausível: ser humonazi hoje em dia dá muito Ibope. E, por conseguinte, bastante dinheiro. Por isso, a profusão desses espectros pela mídia. Vampiros que alimentam-se de almas vadias e vomitam o fel de suas aberrações cerebrais sobre uma plateia que ama de paixão a fealdade.

Com tudo isso ainda acredito, que numa democracia, deve haver lugar pra qualquer tipo de manifestação artística. Até a dos humonazi. Que se apresentem então os hitleristas metidos a engraçados. Mas não na categoria humorismo. Mais justo seria no setor de pompoarismo ou qualquer outro exotismo desses. Só não digo que o ideal seria seus espetáculos virarem experimentos psiquiátricos, à la Gulag, pra não falarem que defendo humocomuna. Mas aí já é assunto para uma outra crônica.