8 de julho foi, de longe, o dia mais feliz de 2014.

Preparei-me para assistir o clássico Brasil x Alemanha sozinho na TV. Deixei a cerveja gelando, coloquei um prato de salgadinhos na mesa de apoio e fiquei ouvindo os comentários lá da cozinha.

Quando me sentei para realmente ver a peleja, toca a campainha. Surge, de repente, meu filho. Eu não o via há semanas – sabem como são os jovens de 20 anos, por vezes esquecem que têm pai. Aquilo já me pareceu um bom presságio. Estendi-lhe uma taça de cerveja e ficamos, em silêncio, acompanhando a transmissão.

A partida começou com vantagem para a Alemanha. O escrete de Joachim Löw botava pressão. A primeira chance veio aos 12’, quando Thomas Müller bateu de fora da área, com perigo.

Contudo, o Brasil foi se armando melhor, parecia preparar o bote. Aos 11′, Bernard abriu o placar. Arrematou, de dentro da área, sozinho, após escanteio batido por Luiz Gustavo.

A Alemanha sentiu o golpe. Mas ainda havia muito jogo pela frente. A pequena torcida rival cantava, animada. Só que os inimigos sofreram logo outro baque aos 23’.  Oscar chutou da marca do pênalti, Manuel Neuer pegou, largou, e no rebote não houve salvação.: 2 a 0 para o Brasil.

Meu filho saltou do sofá e nos abraçamos, febrilmente, como nos velhos tempos.

O placar desestabilizou completamente a Alemanha. No minuto seguinte, Marcelo – um leão na partida – anotou o terceiro. E o que já estava ruim, ficou péssimo para o grande favorito da Copa 2014.

Aos 26’, Bernard voltou a marcar. E começava a enxurrada de gols brasileiros. Gritos eufóricos em casa e no Mineirão. Já os torcedores alemães deixavam o estádio, em choque. Nem sequer notaram Willian marcar um incrível quinto gol aos 29’.

Em pouquíssimo tempo, a Seleção de Felipão perpetrava uma das maiores goleadas na História dos mundiais.

Durante o intervalo, meu filho e eu fomos para a rua. Mal conseguíamos nos entender, tamanho alarido dos fogos.

No segundo tempo, o Brasil, com vantagem de cinco gols, administrava o resultado enquanto a Alemanha buscava apenas diminuir o vexame.

Löw fez duas alterações: Khedira e Klose nos lugares de Müller e Schweinsteiger.  

Aos 51’, Khedira arriscou um chute e Júlio César saltou para fazer a intervenção. No minuto seguinte, o goleiro brasileiro surgiu novamente defendendo um ataque de Özil. E, logo depois, anulou uma perigosa tentativa de Julian Draxler.

O Brasil reacendeu aos 60’, numa bomba de Maicon muito bem defendida por Neuer. E logo veio o inesperado: Dante balançava pela sexta vez as redes germânicas.

Para delírio total da torcida verde-amarela, David Luiz marcou o sétimo gol aos 79’.  Aos 90′, Klose fez o gol de consolação.

Placar final: Brasil 7 x 1 Alemanha.

Quando o escrete canarinho dava a volta olímpica, o locutor informou que o nosso adversário na final seria a Holanda.

“Esse 8 de julho vai entrar pra História, pai!” – declarou meu filho, embargado de emoção.

Em tempo: desejo que todos os dias de 2015 sejam como esta crônica. Que possam ser invertidos, de alguma maneira, pela vontade de nunca aceitarmos os reveses que a vida nos impõe.