Carlos Eduardo Novaes, agora (felizmente) na internet.

(Arte: Vinícius Zumpano)

Tem um cronista que admiro muito e não ouvia mais falar: Carlos Eduardo Novaes.

No final dos anos 1970, quando comecei a me interessar por esse gênero tão tupiniquim, tomei contato com dois autores que viraram meu norte: Verissimo e Novaes. Consumi, é óbvio, Millôr e Ivan Lessa. Mas curtia mais o lado epigramático deles.

Dos livros do gaúcho, o que mais me encantava era “A Grande Mulher Nua” (1975); de Novaes, “O Caos Nosso de Cada Dia”(1974). Não vou me lembrar o título de uma crônica dele dessa época, mas contava a história de uma família classe média que ia acampar – era moda ter barraca e ser sócio do CCB. No meio da viagem, eles se perdiam e acabavam, em vez de chegar no camping, entrando num acampamento cigano. A situação e os desdobramentos eram tão inesperados que despertariam risos até numa estátua. Arrisco afirmar que, após o conhecimento desse texto, foi que decidi partir pra crônica de humor com mais afinco.

Devo ter lido regulamente Carlos Eduardo Novaes por uma dúzia de anos. Logo depois que ele estreou no teatro com a peça “Confidências de um Espermatozóide Careca”, por alguma razão desconhecida, parei de acompanhá-lo. “Confidências” foi um espetáculo-solo que o cronista estreou no finado teatro Delfim e rodou o Brasil, de Manaus até Pelotas. Um sucesso inesperado para ele. Conta-se que até a grande senhora dos palcos, Fernanda Montenegro, chegou a elogiar suas performances dramáticas, dizendo: “você está começando (como ator) por onde os outros acabam”.

Pode ser também que eu tenha interrompido as reflexões bem humoradas de Novaes por ele ter se afastado dos jornalões. Ali podia-se apreciá-lo com mais facilidade. O próprio autor declara, numa de suas crônicas, que sua demissão do JB foi surreal. Ele havia escrito uma crônica mencionando Jesus Cristo, naquele estilo jocoso de sempre. Então, um eminente cardeal, através de um amigo em comum da condessa Pereira Carneiro, proprietária do jornal, pediu sua cabeça. Esse é o Carlos Eduardo Novaes que conhecemos: perde a eucaristia, mas nunca a piada.

A boa notícia é que pode-se apreciar novamente o estilo carloseduardiano, agora pela via digital. Desde o ano passado, o escritor carioca está marcando presença tanto no Facebook, como num blog pessoal: Crônicas e Outras Literatices. Suas observações sobre a política e os costumes brasileiros estão mais afiadas que nunca.

Na miniobiografia do blog, ele apresenta-se assim: Carlos Eduardo (De Agostini) Novaes, jornalista, escritor, dramaturgo, humorista. Tem como filosofia de vida o princípio de “não leve sua existência tão a sério que você não vai sair dela com vida”.

Sabe tudo o mestre.