Umas férias, uma filha, algumas aventuras urbanas.

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Foto: Carlos Castelo

Preciso escrever uma crônica para o Estadão, mas estou em férias. Uma semana apenas, acaba dia 10 de julho, mas férias são férias. Você procura se isolar de tudo o que tenha a ver com trabalho ou rotina. Mesmo que o trabalho ou a rotina tenham a ver com o que você mais adora fazer – escrever crônicas.

Nesses poucos dias estou procurando ficar o mais próximo possível da família. Contudo, atualmente, é mais fácil encontrá-la nas redes sociais do que em casa.

Minha esposa não conseguiu tirar uns dias porque inaugurou um negócio próprio na área de Conteúdo, o primogênito marcou seu descanso anual para outra data mais favorável, o segundo mais velho está em Nova Iorque fazendo fotos aéreas de helicóptero. E o terceiro mais velho só poderá vir na semana que vem. Restou-me a companhia da caçula de três anos.

Achei que me tornaria uma espécie de babá-sênior, mas estou aprendendo bem mais do que supunha sobre amor e turismo alternativo com a minha pequena companheira de ócio remunerado.

Em primeiro lugar levei-a ao zoológico, esse clássico da infância. Fazia décadas que não pisava num lugar onde encarceram seres vivos. A ideia que eu fazia de um zoo era o do filme Madagascar. Só que o “Parque Municipal Zoológico Quinzinho de Barros” não fica próximo ao Central Park, mas em Sorocaba. E a coisa mais parecida com um pinguim que existe lá é um quiosque da cerveja Antarctica.

A filha fixou-se em três animais: o tamanduá, a jaguatirica e o óbvio elefante. Mirou-os com grande compaixão e depois pediu para ir embora. Comprada a pipoca e o balão da Frozen voltamos para São Paulo.

No dia seguinte, ela acordou solicitando que a levasse ao Parque Villa Lobos. Queria dar um giro de triciclo comigo. Depois de um passeio, que durou quase uma hora, chegou o momento de devolvermos o veículo alugado. Desci a ladeirinha que leva ao estacionamento de bicicletas e, ao ver que duas idosas vinham em nossa direção meio distraídas, puxei a alavanca do freio bruscamente.

Foi o capotamento mais vagaroso da história dos parques paulistanos. Tombamos de um jeito espetacular, mas no modo slow motion. Uma turba acorreu aos brados de “o ‘véio’ de cabeça branca caiu com a criança!”. A grita e a correria foi tão imensa que, se houvesse policiais no local, teriam prendido todos sob alegação de arrastão.

O resgate acabou sendo consumado por 28 populares. E, foi tão rápido, que tentaram me tirar do triciclo antes mesmo que eu acabasse de cair. Minha bebê, graças aos céus, não teve sequer um arranhão. Já eu estou tecnicamente entrevado, as últimas 48 horas à base de Dorflex.

Só não me doeram mais a alma e as juntas porque a caçulinha amou a aventura. Chegando em casa já ligou para as amiguinhas e priminhas dizendo:

– Fui andar de bicicleta com o papai. Ca-po-ta-mos! Que de-mais!

Amanhã o programa vai ser passeio de trem seguido de piquenique no pico do Jaraguá. Se eu voltar, escrevo a crônica.