Houve um outro tipo de guerrilha no Brasil?

 

(Arte: Gustave Doré – domínio público)

Acredita-se que, no período da ditadura militar no Brasil, só coexistissem grupos guerrilheiros de esquerda. Contudo, recentemente veio a público, através de novas pesquisas, a revelação de que poderiam ter havido grupos de ideologia oposta atuando no país. Quase todos seriam de matriz religiosa e de ultradireita. Defenderiam tradição, família e propriedade em diversas temperaturas: da discussão teórica de Santo Agostinho à sessões de confissão com genuflexão de até 72 horas.

Conheça esses prováveis guerrilheiros da fé:

MR-NSA

Movimento Revolucionário Nossa Senhora Aparecida:

Bem articulado e estruturado, seria o grupo que os esquerdistas radicais mais temiam nos primeiros anos após o golpe de 64. Contaria com apoio do Vaticano e há quem afirme que o papa Paulo VI acreditava piamente que seus membros promoveriam uma revolução católica, apostólica romana de grosso calibre no Brasil.

APAR

Ação Popular Apostólica Romana:

Provavelmente formado por padres ultraconservadores ligados à Pastoral do Cilício. Contaria com forte adesão do movimento das Senhoras Católicas de Santana. Lutava pela inclusão das sagradas escrituras e do autochicoteamento no currículo das faculdades de Letras, História, Geografia, Arquitetura, Filosofia e Comunicação Social.

CA do B:

Clero Armado do Brasil:

Uma das mais radicais vertentes da direita religiosa brasileira, pode ter sido o primeiro agrupamento a se organizar como alternativa partidária à APAR. Fica claro que davam mais importância à catequese a mão armada que à discussão teórica do Novo Testamento à luz do filósofo Martin Heidegger.

MR 25

Movimento Revolucionário 25 de Dezembro:

Pode ter servido de abrigo a grupos menores, como a Dissidência de São Longuinho, formada por bispos que defendiam o sequestro de ateus famosos. A ação mais conhecida, comenta-se, foi uma tentativa de aprisionamento de Vinícius de Moraes. Mas ela acabou não ocorrendo: os militantes do MR 25 foram em seu encalço, mas acabaram levando Toquinho.

PCBR

Partido Cristão Brasileiro Revolucionário:

Inspirado nos ideais do líder religioso Plínio Corrêa de Oliveira, seria formado por coroinhas que acreditavam na guerrilha metafísica no campo. A organização, porém, parecia promover apenas ações urbanas voltadas à colocação de rosários-bomba na residência de contra-revolucionários ateus e comunistas.

AIN

Ação Incensadora Nacional:

Seminaristas e organizadores de cursilhos teriam criado a organização mais ativa entre as que atuavam na guerrilha religiosa. Ficariam conhecidos por suas habilidades na manufatura de catecismos auto-inflamáveis. Sua principal ação provavelmente foi, contudo, lançar incenso paralisante em sindicatos, portas de fábrica, universidades e terreiros de umbanda.

CCN

Comando de Crucificação Nacional:

Pequeno grupo composto de carolas e ex-integrantes da AIN. Como meio de obter recursos para viabilizar a guerrilha apostólica, praticariam assaltos a missas no momento em que os fiéis depositavam donativos nas sacolas.

MOSALIB

Movimento Sacristão de Libertação:

Uma presumível dissidência da CCN composta de sacristãos que teriam sido treinados em táticas de confissão no santuário de Fátima. Documentos ainda não disponibilizados comprovariam que um espião infiltrado da CNBB, praticamente eliminou o grupo pouco depois de sua chegada de Portugal trazendo um carregamento de vinho de missa radioativo.