Dia desses dias levei umas das maiores fechadas no trânsito da minha vida. ?Quase me estropiei todo.

transformer-1566507

(Pixabay)

Dia desses dias levei umas das maiores fechadas no trânsito da minha vida.?Quase me estropiei todo. O fato ocorreu mesmo tendo eu tomado todas as precauções possíveis no que dizia respeito à minha porção motorista. Em tempo: não faz muito tempo fui atropelado no quinto subsolo de um estacionamento. Ou seja, sou mais do que gato escaldado. ?A fechada foi de um caminhão. Mais especificamente de um gigantesco daqueles de alta tonelagem da Eusmar Mudanças.

Eu já tinha visto muito absurdo na vida e no caótico tráfego paulistano, mas o que esse motorista promoveu foi, de fato, inimaginável. O meu carro estava na pista da direita da Marginal e o caminhão de mudanças na da esquerda. De repente, ele virou do nada e veio se encaminhando para o meu lado. Até agora não entendi como, com aquela antieuclidiana manobra, o bólido não atingiu os automóveis que trafegavam nas pistas do meio. A cena mais parecia uma daquelas perseguições de carros do filme “Identidade Bourne”, em que veículos de todos os tipos e marcas voam, se despedaçam, carretas capotam dentro de rios etc. Ainda bem que não aconteceu a parte das hecatombes na ocasião, mas foi por muito pouco.

Quando percebi a gigantesca massa metálica vindo para cima de mim tive a sorte de – em vez de acelerar – não fazer nada. Acho que, pelo susto em si, entrei numa espécie de inércia. Foi o que salvou a lavoura. Se tivesse ido bruscamente para frente teria abalroado um food truck e aí ia sobrar mais kebab na Marginal do que em festa de beduíno no deserto do Saara. Se resolvesse, de repente, frear, teríamos uns sete motoboys a menos fazendo entregas na capital paulistana.

Tentei emparelhar com o cara para xingar – admito: sou sangue quente no trânsito, não tem jeito. Mas o motorista acelerou e, para não bater nos outros, me aquietei na minha faixa. Só que fotografei o número do telefone que estava na carroceria. O smartphone tem essa vantagem, é preciso concordar. Ato contínuo parei no acostamento e liguei para a firma. Deu-se o seguinte diálogo telefônico:

– Eusmar Mudanças, pois não?

– Eu queria reclamar de um dos caminhões da sua empresa. Ele quase provocou um grave acidente aqui na Marginal Pinheiros agora.

– Mas nós só temos um caminhão.

– Só um?

– Isso. E estou dirigindo ele agora, inclusive

-Ah, é?

– É…

– Você está na Marginal?

– Estou. No celular.

– Então vai à m…, Eusmar!