O Instagram, no fundo, é uma máquina de provocar inveja no próximo.

Foto: Carlos Castelo

O Homem sempre foi fascinado por imagens. Aqueles desenhos de mamutes nas cavernas nada mais eram do que tentativas de fazer fotos. E isso não mudou. Uma vizinha minha, em pleno 2019, tenta fazer selfies dela e só saem elefantes.

Apesar de ser algo criado para alimentar a paixão humana pela fotografia, o Instagram é bastante estranho. As pessoas põem filtros nas fotos e não filtram os comentários, clicam-se desfocadas (Ok, isso, de certa forma, não é ruim. A feiura é a tônica no mundo dos instagramáveis. Eu, por exemplo, tenho um primo tão feio que o Instagram paga um salário pra ele não postar suas selfies).

Pior que isto, só os títulos das imagens. Dia desses vi uma de certo repórter fotográfico; um urubu comendo um refugiado. A legenda era: “mais um dia de trabalho na África.”

Ouvi de fonte segura que o Instagram era pra ser desenvolvido aqui no Brasil. Mas não deu certo. O usuário postava a foto e a revelação só ficava pronta uma semana depois. Imaginem só, o cara clicava seu prato num restaurante e, quando aparecia no feed, a comida já estava podre.

Às vezes, me pego também imaginando como seria o perfil de pessoas famosas que não chegaram a ter Instagram. Tipo o Conde Drácula. Com certeza, só veríamos fotos de sarapatel, galinha ao molho pardo, chouriço de sangue etc. E o Instagram do James Joyce? Só retratos do artista quando jovem. E nem é preciso ser profeta para afirmar que o Insta de Sigmund Freud só teria fotos da mãe dele.

O Instagram, no fundo, é uma máquina de provocar inveja no próximo. A pessoa está num trem, feito uma sardinha em lata, e dá com a foto de uma colega de firma no Trocadéro, em Paris. A amiga corre pela grama verdíssima, sorrindo, o sol ao fundo. Como essa pessoa, na estação Parada de Taipas – suada, entalada, empurrada – vai reagir? Peidando no vagão, é claro. E, olha, seria uma reação natural: a inveja, como o flato, é totalmente humana.

Por essas e por outras é que deve-se culpar também o Instagram, e não apenas as vacas que lançam gases de metano na atmosfera, pelo efeito estufa.

Com tudo isso exposto, e mesmo sendo um crítico do aplicativo, tentei criar meu perfil. Como sou escritor, fiquei interessado pelo Stories. Postei um PDF do meu livro mais recente, o Instagram não aceitou. Desisti.