Vossa Eminência Reverendíssima passou dos limites e não há cristão que aguente mais suas atitudes.

(Pixabay)

Dileto Presidente:

Desde que a Coca-Cola me contratou, eu dou presentes a todos. Ano após ano pego o meu velho trenó, chamo as renas Dancer, Dasher, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Donner, Blitzen, Rudolph e largamos por aí voando, descendo por chaminés estreitas e repletas de fuligem.

É um trabalho fraternal, não é para gerar lucro. Mamãe Noel sempre reclama que não temos dinheiro nem para trocar os canos do aquecimento da casa. Que nunca viajamos para Miami no verão como os vizinhos. Que não trocamos de snowmobile desde 2001.

Ser Papai Noel é um sacerdócio, digo a ela sempre às vésperas do Natal. Receio, contudo, que um dia ela se encherá da vida que tem e pedirá o divórcio. Como não temos filhos, só criamos meia dúzia de gnomos, não será difícil para ela tomar a decisão de dar fim ao nosso casamento.

Diante disso, senhor presidente, decidi lhe enviar esta cartinha. Exatamente como as milhões de missivas que recebo. Após tanto tempo de prestação de serviços tenho mais do que direito de solicitar alguma coisa.

Apesar do Papai Noel, a priori, ser cristão, ele deveria perdoar geral. Sucede que Vossa Eminência Reverendíssima passou dos limites e não há cristão que aguente mais suas atitudes. Vivo no meio do gelo, mas acompanho a vida do mundo inteiro. Até uma criança sabe que Papai Noel está de olho nela.

Pois bem, só esse ano, presidente, Vossa Capitanência falou mais absurdos do que todos os lupanares do Hemisfério Sul. Abaixo, alguns das dezenas que anotei em minha caderneta:

“Aqueles que depois da segunda dose da vacina, né, 15 dias depois, totalmente vacinados, estão desenvolvendo a síndrome de imunodeficiência adquirida muito mais rápido do que o previsto”

“A Amazônia não pega fogo. Você pode jogar um galão de gasolina lá na mata. A floresta é úmida”

“Conversei com o Jim Carrey também”

“Vá pra puta que o pariu. Imprensa de merda. É pra enfiar no rabo de vocês da imprensa essas latas de leite de condensado todas”

Se adicionarmos as surrealidades de sua família então, chegaremos ao ápice da bizarria. Seus filhos rachando mais dinheiro alheio do que nozes em ceia natalina. E o que dizer de sua consorte, capitão? Além de berrar naquela pseudo-língua de Deus (e olha que eu conheço o Homem e ele não sabe aquele idioma, hein?), toda hora se travestindo de palhaça, Branca de Neve… Já vou avisando: se ela se vestir de Santa Claus, meto um processo!

Enfim, não quero mais tomar seu tempo. O objetivo desta missiva é apenas lhe pedir um presente, que eu mereço: no Réveillon, pule as sete ondinhas. Em seguida, pule fora.

Ho Ho Ho. Fora, Bolsonaro!

Cordialmente,

Santa.