Uma mini-sociologia da disputa eleitoral.

 

 

(Pixabay)

Diante da profusão de pessoas ensandecidas postando absurdos em posts sobre a disputa eleitoral, promovi uma pequena classificação destes tipos sociológicos e divido-a com vocês. Se virem alguém com tais características em seu perfil, não hesitem: bloqueiem. Ou preparem-se para fortes emoções.

O ARGUMENTADOR: Para ele, o que importa são os fins, não os meios usados para vencer um bate-boca. Mistura Gramsci com Ana Maria Braga e Padre Marcelo para convencer o postador de que seu candidato é o mais preparado para governar o país.

O REPETITIVO: Para vencer uma contenda no Facebook lança mão de repetições contínuas da expressão “é, mas…; é, mas…; é, mas…”.
Repete-as tanto que convence até o Boulos a votar no PSL.

O FOCADO: Vai ler os posts de seus amigos para usá-los contra você. Descobre uma foto sua pelado na infância e joga na rede. Começa a segui-lo fisicamente na rua. Registra com o smartphone suas entradas e saídas de casa. E tem bafo.

O RETROATIVO: É como D.R. de casamento. Na discussão é aquele que volta com um lance do passado e joga na cara. “Tudo bem, mas você esqueceu o Juninho dentro do carro na praia, em 1999, durante duas horas, não te perdoo nunca.”
No caso, o Retroativo usa bancos de dados: “tudo bem, mas o seu partido se envolveu com propina, em 1936, não perdoo isso nunca”.

O DOENTE: É o black bloc da web. Quando entra num embate nas redes sociais sobre política não pensa em mais nada a não ser sair vitorioso. Em estágios patológicos mais avançados, o Doente pode criar dezenas de perfis falsos para debater consigo mesmo e se autoagredir buscando obter compaixão de seus seguidores. Pode transmitir raiva, cólera e mais atualmente ebola.

O GRITADOR: Quando é contrariado digita aleatoriamente impropérios repletos de sinais agressivos, compreensíveis apenas em ambientes online: Huoooooooo! Trinchhhhhhhh! Agahtttttttttttt!!! Às vezes relincha.

O ESQUIZO: Muda de candidato como quem muda de camisa. De manhã está a favor da extrema direita, à tarde clama pelo centro, no fim do dia já tornou-se marxista-leninista de carteirinha. Apesar de muito influenciável, também é influenciador. Este fato leva à ira os seguidores que vai angariando, que o acusam de traíra. Ainda não foi encontrado um tratamento eficaz para esse tipo de comportamento político, mas a grande maioria dos esquizos acaba virando deputado, senador e até presidente da República.