O Rio e suas celebridades.

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Foto: Carlos Castelo

I.

Primeiro sentei no avião ao lado do Luiz Fernando Guimarães. Está rechonchudinho ele, mas foi muito simpático, me ajudou até tirar a mala da esteira.

No banheiro urinei ao lado do Zeca Pagodinho. “Cerveja é foda”, comentou o sambista por cima da paredinha.

Indo pro hotel dividi o Uber Pool com a Carolina Dieckmann, atenciosíssima e muito elegante.

Fazendo o check-in tive que emprestar minha caneta ao Antônio Fagundes, a dele tinha acabado a tinta.

Almoçamos em Ipanema, no restaurante baiano do Pepeu Gomes, que nos serviu em pessoa.

À noite assisti Ben-Hur ao lado do Boni no cinema de um shopping da Barra. Dividimos uma pipoca.

Voltei pro hotel de carona com o Fred, falamos sobre a renovação do futebol brasileiro.

Estava quase dormindo quando bateram na porta do meu quarto. Era a Fernanda Montenegro. Desculpou-se pelo engano e saiu suave e gravemente pelo corredor.

No voo de volta a São Paulo, a Preta Gil pediu pra ficar do meu lado. Está bem rechonchudinha ela, mas foi muito simpática.

No mais, o Rio é um anonimato só.

II.                                                                           

Na real, só encontrei um anônimo nessa breve passagem pela cidade olímpica. Antes preciso dizer que fui ao Rio para participar de uma filmagem como roteirista. Estávamos lá fazendo uma gravação em estúdio quando esse completo desconhecido apareceu. Era o operador de som da equipe. Depois de modular os graves, agudos, médios, deixar todos os equipamentos equalizados, ele dirigiu-se até a mesa onde me encontrava. Estava nervoso e disse num jorro:

– Meu nome é Paulo, filho do Juarez. Sou a segunda geração de técnicos de som da família. Como meu falecido pai, trabalho em cinema, TV, propaganda, tudo o que o senhor imaginar. Pediria, se não fosse lhe incomodar, que lesse esta carta. Preciso de uma gentileza sua.

Nesse momento me entregou um envelope amarelo. Pensei: “afinal conheci o único Incógnito do Rio”.

Guardei a missiva no bolso e prometi lê-la mais tarde. Na ponte aérea fiz o prometido.

O autor do texto é Paulo Costa, filho de Juarez Costa, um dos maiores técnicos de som do Brasil, com Palma de Ouro no Festival de Cannes pelos efeitos especiais de som no filme O Pagador de Promessas. E participações na sonorização, entre muitos outros, de Macunaíma, Fitzcarraldo, Bar Esperança, O Homem da Capa Preta, A Vida como ela é. Basta dar uma olhada em  “Juarez Dagoberto Costa” no Google ou no ImdB e confirmar a veracidade do fato.

Paulo aprendeu o ofício com o premiado Juarez, que morreu recentemente trabalhando em pleno set de filmagem. Os Costa passam por um momento difícil. O técnico de som busca jobs em sua área para poder prestar uma melhor assistência à mãe, que está com 84 anos de idade.

Paulo deve ter achado que eu, como estava na Guanabara, numa locação, era mais uma celebridade como as acima citadas. Mas, pelo teor de seu relato, a celebridade é ele.

Moral: vamos dar um força pro pessoal do cinema nacional continuar sendo estrela de primeira grandeza.