Hepatite e cirrose são velhos conhecidos dos humanos. Mas animais também podem ter problema hepáticos. O pior é que muitos deles são causados por displicência do tutor, ou seja, nós.

Hepatite canina

Martin Smith/Creative Commons

No caso de cães, a falta de vacinação pode facilitar a Hepatite Infecciosa. Essa doença viral atinge o fígado do pet e pode levar ao óbito. Mas, pode ser facilmente prevenida, como confirma a médica veterinária do Hospital Veterinário Cão Bernardo, Gabriela Basso Alves: “É imprescindível que o cão seja vacinado, além de prevenir outras doenças como, leptospirose, adenovirose e a hepatite. Enfermidades que podem levar a morte do animal”. Também é importante fazer a higienização do ambiente que o animal frequenta, assim como seus brinquedos.

Os sintomas variam de acordo com a gravidade da hepatite e podem demorar até sete dias para aparecer, período em que os vírus ficam incubados no corpo do animal. Os sinais em cães adultos podem ser febre, apatia, falta de apetite, vômitos e diarreia, chegando até mesmo a conter sangramento em vômitos, fezes ou urina. É uma doença infecciosa apenas entre cães e não atinge seres humanos.

Há várias formas de hepatite. Por isso, é importante fazer um diagnóstico correto no hospital veterinário. “Temos hepatite bacteriana, tóxica, por leptospirose, fúngica, granulomatosa, fulminante por vírus da parvovirose e da cinomose. Por isso, é muito importante fazer exames hemograma e bioquímica de sangue, urinálise, testes sorológicos para detecção do agente viral, radiografias e ultrassonografia”, alerta Gabriela.

G. Chirinos/Creative Commons

Fígado e alimentação

Mas essa não é a única forma de haver problemas hepáticos. Assim como nós, os animais com grande ingestão de gordura estão mais propícios a desenvolver problemas no fígado. A má alimentação ou inadequada para a espécie ou porte do animal pode ser um dos grandes fatores.

Resolvi escrever sobre esse assunto, após acompanhar a visita a um papagaio. Os sintomas eram apatia e falta de apetite. Quando os tutores foram questionados sobre a alimentação, veio a resposta costumeira: “semente de girassol”. Mas dessa vez foi pior. Coca-cola, pizza e carne estavam presentes na dieta do bichinho. Como diagnóstico, problema hepático decorrente da péssima alimentação.

Ana Paula Machado/Creative Commons

Segundo o médico veterinário, especialista em silvestres, Jorge Salomão Júnior, é comum na rotina clínica de aves, receber pacientes com queixa de prostração, inapetência, mudança comportamental, diarreia. “São sintomas comuns a uma grande diversidade de doenças, as quais podem acometer passeriformes, psitacídeos, ranfastídeos, aves de rapina, bem como as demais espécies. Apesar de sintomas comuns, na grande maioria dos casos, estes estão associados a doenças hepáticas. Essas, por sua vez, geralmente associadas ao erro de manejo” explica.

Eu juro que eu não entendo como as pessoas têm animais e não buscam informações para oferecer a melhor qualidade de vida a eles. E pior, segundo o Dr Jorge, esses animais com problemas hepáticos tem uma grande diminuição na expectativa de vida.

No caso de aves, o ideal é evitar alimentos com muita gordura, como sementes, aveia e castanhas. “A ração ainda é o alimento mais balanceado. Mesmo que o animal não goste de comer, é possível fazer uma troca paulatina para melhor do quadro” alerta o veterinário.

Isso se deve principalmente ao fato de muitas espécies mascararem os seus sinais clínicos. Assim, quando apresentam esses sinais, já estão em estágio avançado das doenças. “Infelizmente, o manejo errôneo é mais frequente na clínica de aves do que gostaríamos. Por isso, temos que levar em consideração alguns pontos essenciais para a saúde da Ave” pontua Dr Jorge.

Diferentemente de outras doenças, os problemas hepáticos podem ter sintomas pouco específicos, como prostração, falta de apetite, dormir em grande parte do tempo durante o dia (o que não é normal), regurgitação, e até sintomas mais específicos, em casos mais graves e crônicos, como crescimento excessivo do bico, crescimento excessivo das unhas, cor amarelada em mucosa ocular, penas desfiadas e quebradiças e coloração amarelada das penas.

Foto: Jorge Salomão Júnior

Para haver o diagnóstico correto, segundo o Dr Jorge, o ideal é haver exames complementares, como hemograma com bioquímico, raio-x e ultrassom para animais maiores.

Para evitar tal transtorno e problema para o bichinho, busque informações sobre dieta, vacina e melhora na qualidade de vida. Questione o veterinário. Não ofereça alimentos humanos. Mesmo que ele faça a maior carinha de gatinho do Shrek. A partir do momento que colocamos um bichinho na nossa casa, somos responsáveis por ele integralmente, incluindo a alimentação mais correta.