Dawn Huczek/Creative Commons

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A primeira coisa que fazemos quando pegamos um animal, seja da rua, de criador, de canil ou de ONG, é levar ao veterinário para saber sobre sua saúde e dar as vacinas. Isso é um enorme sinal de carinho e de responsabilidade, pois previne muitas doenças. Mas você sabe para que servem as vacinas? O que é V10, V8, tríplice, quíntupla e anti-rábica? Devo vacinar meu animal todo ano? O que mais eu posso fazer para evitar que ele fique doente?

stratman² (2 many pix!)/Creative Commons

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Bem vindo ao mundo das discussões e das inovações! Bem vindo ao novo protocolo individualizado!

Há pouco tempo, uma marca de vacinas e remédio para animais lançou um programa chamado Novibac Sob Medida. Em consonância com a classe veterinária mundial, e com os professores das principais cursos de medicina veterinária do país, esse programa defende que o animal deve ser olhado como indivíduo e deve ter um protocolo específico para ele. Na prática, isso quer dizer que o cão que mora na cidade deve ser vacinado de forma diferente daquele que mora em zona rural. Da mesma forma, um gato que só vive no apartamento deve receber vacinas diferentes do gato errante (de rua).

O motivo disso: excesso de vacinas desnecessárias ainda são dadas. O resultado: efeitos colaterais como alergias e até tumores.

U.S. Mission Uganda/Creative Commons

U.S. Mission Uganda/Creative Commons

O ponto em comum entre os especialistas é em relação à primovacinação (vacinação de filhotes). Obrigatoriamente, a primeira dose deve ser dada por volta da 6ª semana de vida e deve ser feito, pelo menos, mais um reforço. Vacina dada antes dos 30 dias de vida podem não ser eficazes, pois o filhote ainda está com os anticorpos da mãe. As vacinas imprescindíveis para qualquer cão são as contra cinomose, parvovirose, hepatite e raiva; e rinotraqueíte e panleucopenia para gatos. Quem irá decidir quais as vacinas são necessárias, é o médico veterinário. Porém, você pode questionar o motivo de aplicar cada uma das vacinas.

O que significa V8, V10, V11, V12, tríplice, quádrupla e quíntupla?

O número que aparece após a letra “V” significa o número de doenças que aquela vacina previne. Essas vacinas são dadas apenas em cães. Para gatos, são a tríplice, quádrupla e quíntupla, que combatem três, quatro e cinco doenças, respectivamente.

Doenças que a V10 previne: cinomose, hepatite infecciosa (adenovírus tipo 1), doenças respiratórias (adenovírus tipo 2), parainfluenza, coronavirose, parvovirose e  4 tipos de leptospiroses.

Doenças que a quíntupla previne: rinotraqueíte, calicivirose, panleucopenia, leucemia felina e chlamydia psittaci.

A vacina de raiva é dada separadamente dessas citadas. O Brasil é um dos poucos países que obriga por lei, que seja feita a vacinação contra raiva (vacina anti-rábica) e a vacina é oferecida pelo governo.

Algumas vacinas precisam de cuidados antes de serem aplicadas. É o caso da contra giárdia. A eficácia dessa vacina está diretamente relacionada à ausência de protozoários (vermes) no intestino do cão, como explica a médica veterinária Andrea Cecília Favero, professora de imunologia e parasitologia da Universidade Anhembi-Morumbi. Se não fizer esse preparo, o animal poderá ter giárdia, mas eliminará menos cistos (ovos do parasita) no ambiente, como explica o médico veterinário César Augusto Dinola Pereira, professor titular em imunologia e bem estar animal da Unisa e Anhembi-Morumbi. O fabricante da vacina contra giárdia afirma que vacina está no mercado desde 2002. Alguns animais respondem bem e outros abaixo do esperado, mas poucos foram os casos de animais que não responderam.

Pima County, Arizona/Creative Commons

Pima County, Arizona/Creative Commons

O Dr. César explica que é importante que as vacinas deixem de ser polivalentes, como a V10 (para cães) e quíntupla (para gatos) e passem a ser monovalentes, como a contra tosse dos canis, raiva ou giárdia. “Assim, o veterinário pode escolher quais as vacinas deve aplicar e em que momento da vida do animal, de acordo com a necessidade de cada indivíduo”, explica.

É verdade que eu não posso passear com meu filhote até terminar o ciclo de vacinação?

Andy Beal/Creative Commons

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“O filhote é propenso a pegar doenças. Enquanto ele não estiver totalmente imunizado, deve evitar contato com outros cães, com parques e rua” explica Dr. Cesar. Como a transmissão dessas doenças também depende da limpeza e saneamento do local, a Dra. Andrea dá uma dica: “Se o proprietário mora em um bairro que tem saneamento, as ruas são limpas, os cães são vacinados, não há cães errantes e o proprietário oferece uma boa alimentação ao animal, não há problemas em sair com o filhote na rua após a segunda dose de vacina. Também pode levar esse filhote na casa de amigos ou familiares que tenham cães vacinados e ambiente bem higienizado”.

Foto: Psicovet

Foto: Psicovet

Um dos grandes conflitos entre os veterinários clínicos e os comportamentalistas é sobre o período de socialização dos filhotes de cães e gatos, que ocorre exatamente na época de vacinação. “O que é pior: ter o cão não social ou com cinomose?” questiona Dr. Cesar. Uma solução para esse impasse são as aulas para filhotes de cães e gatos. Com ambiente preparado para filhotes frágeis, há uma extensa lista de exigências para que o animal não corra riscos. Assim, pode haver a socialização e resguardo do pet, ao mesmo tempo. Essa é uma tendência mundial, que já chegou à São Paulo.

Quando eu não posso ou não devo vacinar meu cão/gato?

Myfuture.com/Creative Commons

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A vacina é recomendada para animais saudáveis, sem nenhuma doença, sem parasitas, bem nutridos e não alérgicos. Caso seu pequeno esteja com diarreia, vômito, não esteja se alimentando bem ou, seja alérgico a qualquer componente da vacina, o problema deve ser tratado antes da vacinação. É isso que garante que seu peludo estará protegido. “Vacinar cães com verminose, é um erro, pois a vacina poderá não ter efeito.” confirma Dra. Andrea. “Para cães alérgicos, é necessário conversar com o veterinário sobre os benefícios e malefícios de fazer a vacinação. Talvez fazer uma medicação para prevenir a alergia seja a melhor solução” complementa.

Devo vacinar meu cão/gato todo ano?

“Após a vacinação do filhote, é interessante que seja feita uma sorologia. Esse exame mostrará se os anticorpos gerados com a primovacinação ainda estão efetivos, ou não. Caso não esteja, a vacina deve ser dada. Porém, muitas vezes há anticorpos ativos e não há necessidade de fazer uma nova dose, evitando possíveis efeitos colaterais” indica Dra. Andrea. Muitas vacinas tem efeito superior a um ano. Alguns estudos apontam que vacinas específicas podem ter duração de até 7 anos. Mesmo sendo um exame um pouco caro, por volta de R$ 100,00, vale a pena.  À medida que mais veterinários solicitarem esse tipo de exame, ou os proprietários requisitarem, mais acessível ficará.

bagsgroove/Creative Commons

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Em alguns casos, dependendo do estilo de vida do animal, é interessante que a vacinação seja feita até de 6 em 6 meses. Um exemplo é a vacina contra leptospirose para cães que convivem e/ou caçam ratos. A visita anual ao veterinário é sempre necessária. Nessa interação, o profissional poderá observar se houve alteração na rotina do animal e se deve mudar as vacinas dadas anteriormente, ou parar de aplicar outras. Não se esqueça: o veterinário é o melhor amigo do proprietário! E a prevenção continua sendo o melhor remédio!

Quais outras formas de prevenir doenças?

A Dra Andrea é veemente ao falar: “Uma boa alimentação, com todos os nutrientes necessários para que o sistema imunológico possa responder positivamente, ao entrar em contato com qualquer patógeno (doença)”.

Os 10 alimentos proibidos para os animais

“Não estamos levantando a bandeira que a vacina é ruim. A melhor forma de prevenir doenças ainda é através da vacinação. Precisamos tomar cuidado com o excesso de vacinação desnecessária” alerta Dr. Cesar.

Quer saber mais sobre esse assunto, acesse aqui.

Dia dos namorados está chegando. Vamos aproveitar o clima romântico para falar sobre o namoro e o amor entre os animais. Até a próxima quarta, dia 10/06! <3