Marty Gabel/Creative Commons

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Muitas pessoas estão compartilhando nas redes sociais, notícias que apontam animais tristes em zoológicos. O discurso contra confinamento de animais silvestres está cada vez mais inflamado. Mas de que adianta ser contra zoológico e comprar animais silvestres não legalizados?

Na última apreensão da polícia ambiental no interior de São Paulo, foram resgatados 300 papagaios filhotes (T-R-E-Z-E-N-T-O-S-!). Desses, 250 já tinham compradores certos. Esses exemplares foram retirados da natureza de forma ilegal. Mas a vontade de ter um pássaro lindo em uma gaiola, cantando todos os dias, mesmo com as asas cortadas para não conseguir voar, é maior do que a preocupação com o animal ou com o meio ambiente.

André S. Macedo/Creative Commons

André S. Macedo/Creative Commons

Resumo da história com papagaio, nada engraçada: muitos filhotes morreram, por transporte em local inapropriado. Os que sobreviveram foram levados para um centro de resgate de animais silvestres e serão devolvidos à natureza, assim que recuperados.

Não importa que a pessoa irá tratar bem o bichinho. Os animais devem estar em seu habitat! Só assim eles poderão desenvolver comportamentos naturais da espécie e ter total bem estar!

E os zoológicos?

Foto: Luiza Cervenka

Foto: Luiza Cervenka

Muitos dos animais silvestres resgatados no Brasil vieram de tráfico. Alguns, de atropelamentos, queimadas ou destruição do habitat natural. Uma grande parte é levada para centros de reabilitação para tratamento. Quando estiverem prontos, serão reintroduzidos na natureza, próximo ao local que foram resgatados, ou onde deveriam estar.

Porém, alguns animais têm danos irreversíveis. Se voltarem para a natureza, serão predados facilmente. Neste caso, e somente neste caso, os animais ficarão confinados em recintos. Assim, receberão comida adequada e atividades específicas para as necessidades da espécie, através do enriquecimento ambiental. Se não estressar o animal, ele poderá ser exibido ao público, com intuito de educar sobre a preservação ambiental.

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Como o ser humano só preserva o que conhece, é importante que alguns poucos exemplares sirvam de “mártires”. Mas isso não pode ser em vão. Nós, humanos, deveríamos aprender como preservar a espécie, seus hábitos alimentares, e curiosidades das espécies, através da educação ambiental. Só por meio da educação do ser humano, outros animais não irão parar nos zoológicos.

Pardee Ave./Creative Commons

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Por isso, ao levar seu filho ao zoológico ou ao aquário, explique a ele as curiosidades de cada espécie, onde o animal deveria estar e o que podemos fazer no dia-a-dia, para auxiliar no bem estar e manutenção da espécie.

Caso Arturo

Pardee Ave./Creative Commons

Pardee Ave./Creative Commons

Todo esse discurso é muito bonito. Mas, infelizmente, nem todos os zoológicos e aquários têm essa visão. Alguns, visam apenas o lucro, e compram animais capturados na natureza, para terem mais visitantes. Além disso, pouco se importam com as necessidades dos animais.

O caso mais icônico é do urso polar Arturo. Considerado o urso mais triste do mundo, o animal vivia confinado no zoológico de Mendoza, na Argentina. Sua liberdade ocorreu no início de julho, não por soltura, mas por morte. Arturo viveu 22 anos em um cativeiro sem nenhum preparo. Após sua morte e de outros 64 animais, o zoológico argentino foi fechado.

Cativeiro Chinês

Yortw/Creative Commons

Yortw/Creative Commons

Com a morte de Arturo, outro urso polar ganhou o título de “urso mais triste do mundo”. Desta vez, ele mora no shopping Grandview, em Guangzhou, na China. Juntamente com seis belugas (baleias), cinco morsas, um lobo e raposas do ártico, o urso, além de ser mantido em cativeiro inapropriado, não consegue ver a luz do sol. Por isso, apresenta comportamentos estereotipados (pacing), típicos de animais estressados. Quando questionados, os responsáveis pelos animais garantiram que iriam colocar gelo em cima do cimento, onde o urso fica.

Esses animais só estão em exposição, pois muitas pessoas disputam quem tirará a melhor foto ao lado dos bichos. Não há nenhum intuito educativo, além de selfies.

Se você achou tudo isso horroroso, vamos lembrar do caso do papagaio, contado acima?

CRAS – Centro de Reabilitação de Animais Silvestres

Foto: Luiza Cervenka

Foto: Luiza Cervenka

Além de muitos pássaros, a Associação Mata Ciliar (CRAS de Jundiaí-SP), abriga lobos guarás, tamanduás bandeiras, jaguatiricas e até onças.

Ao visitar o CRAS, que não é aberto à visitação, fiquei extremamente chocada com as histórias que motivaram a ida dos animais ao centro de reabilitação. Mas, a pior de todas, foi de uma onça preta. Com um padrão de cor muito raro, a onça possui as patas curtas e o corpo desengonçado.

O motivo: foi pega, ainda filhote, por uma família, que alimentava somente com carne. Desnutrida, a onça rara não pôde se desenvolver como deveria. Resultado: a família que a pegou, sem conseguir criar o animal adulto, levou para o CRAS. Sem condições de ser reintroduzida no seu habitat natural, devido a sua dificuldade de locomoção, a belíssima onça ficará para o resto de sua longa vida em cativeiro.

Foto: Luiza Cervenka

Foto: Luiza Cervenka

Essa é uma história, entre os 700 animais que vivem na Associação Mata Ciliar, atualmente. Isso tudo em apenas um CRAS brasileiro.

Agora lhe pergunto: será que o problema realmente está nos zoológicos?