Valerie Reneé/Creative Commons

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Problemas de coração são uma das maiores preocupações em humanos. Mas e em pets, será que eles podem sofrer das mesmas doenças?

Cães, gatos, de pequeno, médio e grande porte, idosos e novinhos. Todos eles podem apresentar distúrbios cardíacos. O que define se haverá algum problema, ou não, é a genética. Por isso é tão importante escolher bem o canil/gatil que você irá adquirir seu peludo.

Com diagnóstico mais preciso e animais vivendo mais tempo, a doença cardíaca vem crescendo em números. Mas fique tranquilo, ataques cardíacos são muito raros em cães e gatos, mesmo naqueles que estão acima do peso. Isso porque a vascularização é melhor nos cães e nos gatos em comparação aos humanos, além da ausência de fatores de risco, como tabagismo, estresse crônico e alimentação inadequada.

Você sabe quais os sintomas que indicam problemas cardíacos?

Craige Moore/Creative Commons

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  • tosse, quando o animal se agita muito ou logo que acorda
  • respiração ofegante
  • dificuldade respiratória
  • desmaio
  • fraqueza
  • cansaço fácil

Se seu peludo apresentar qualquer um desses sintomas, leve imediatamente ao veterinário.

Raças mais propensas a doenças cardíacas

PRO*Ann Gordon/Creative Commons

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Cães de pequeno e médio porte são predispostos a doenças valvares. Veja algumas raças:

  • Poodle
  • Yorkshire
  • Pinscher
  • Maltes
  • Pequinês
  • Chihuahua
  • Dachshound
  • Fox
  • Teckel
  • Lulu da Pomerânia
  • Whippet
  • Beagle
  • Cavalier King Charles Spaniel
  • Cairn Terrier

Para os cães de grande porte, Boxer e Doberman devem fazer acompanhamento desde cedo. Em felinos, as raças Persa, Maine Coon e Ragdoll são as mais propensas a cardiopatias.

PRON'Grid/Creative Commons

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Nomes difíceis

Austin Community College/Creative Commons

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Ao conversar com a médica veterinária especialista em cardiologia, Dra Lilian Petrus, aprendi diversos nomes difíceis. Mas ela explicou tudo direitinho para entendermos. “A doença cardíaca mais comum no cão de pequeno e médio porte é a doença valvar crônica de mitral. Uma cardiopatia degenerativa, que resulta na insuficiência cardíaca, sendo mais comum em animais com acima dos 5 anos. Já os cães de grande porte podem apresentar a cardiomiopatia dilatada, que é uma doença que acontece pela redução da contração do músculo cardíaco. Os gatos podem ter mais comumente a cardiomiopatia hipertrófica, que é uma cardiopatia que leva ao aumento da espessura da parede do coração”.

Exames para diagnosticar um problema cardíaco

A medicina veterinária evolui a passos largos (ainda bem!). Por isso, diversos exames, que anteriormente eram feitos somente em humanos, agora estão disponíveis para cães e gatos.

A Dra Lilian alerta que o ideal é realizar exames cardiológicos previamente a procedimentos cirúrgicos. Mas uma atenção especial deve ser dada aos cães da raça Boxer e Doberman, que devem fazer avaliações cardiológicas frequentes. Os exames incluem a eletrocardiografia, ecocardiografia e monitorização ambulatorial eletrocardiográfica (Holter).

“Quando o médico veterinário perceber alguma alteração à auscultação cardíaca ou quando apresentar sintomas relacionados a enfermidades cardíacas, o proprietário será orientado a buscar um veterinário cardiólogo” recomenda Dra Lilian.

Como tratar?

Há diversos tipos de medicamentos para tratar a doença cardíaca. “Muitos cardiopatas não precisam de tratamento por serem assintomáticos. Outros, podem ter os sintomas da doença amenizados com o tratamento médico, e conviver muito bem com a cardiopatia” conforta Dra Lilian.

Mosquito do mal

PROmangpages/Creative Commons

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A dirofilariosee é uma doença transmitida pela picada do mosquito flebótomo. Ele inocula vermes no sangue dos cães. Quando os vermes estão adultos, se alojam no coração do cachorro. “Para essa doença, há prevenção, feita com medicações administradas, quando o animal vai para áreas onde há o mosquito” explica Dra Lilian.

Com os surtos de dengue, Zika e Chikungunya, muito se falou sobre a doença transmitida aos cães, pelo mosquito da dengue. Porém, o Aedes Aegypti tem preferência por picar seres humanos. Há outros 15 tipos de mosquitos que podem transmitir a dirofilariose aos cães. Os sintomas são os mesmo de uma doença cardíaca.

Pudim dá um susto!

Foto: Ludmila Stempniewski

Foto: Ludmila Stempniewski

O casal Ludmila e Benjamin já tinha a Mel – uma viralatinha super tranquila – quando decidiu aumentar a família. Eles adotaram o Pudim, mais conhecido como terremoto. O novo filho não parava um segundo. Corria, pulava, latia, roubava brinquedo da Mel, corria de novo e, bem de vez em quando, descansava.

Foto: Ludmila Stempniewski

Foto: Ludmila Stempniewski

Passado um ano da adoção, o terremoto ainda persistia. Até que, um dia, os donos acordaram e a casa estava calma. Com muito estranhamento, chamaram pelo Pudim e ele mal levantava.

Angustiados, Ludmila e Benjamin correram para o hospital veterinário. Diagnóstico: arritmia cardíaca severa. Foi preciso passar com a especialista em cardiologia e permanecer internado, para que os remédios conseguissem fazer efeito.

Foto: Ludmila Stempniewski

Foto: Ludmila Stempniewski

“Nunca imaginamos que aquele cão agitado, que nunca tinha tossido, podia ser cardiopata” confessa Ludmila.

Hoje, o terremoto voltou. Está medicado e em constante avaliação com a veterinária cardióloga. Vida normal, com direitos a pulos e corridas no parque. Mas foi preciso um susto para alertar sobre uma doença silenciosa e congênita.