Nathan Rupert/Creative Commons

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Um assunto ainda tido como tabu entre humanos, começa a ser discutido para cães e gatos. Muitos estudos já mostraram que é comum haver relação entre animais do mesmo sexo. Mas será que nossos peludos também podem ter sua sexualidade categorizada em hetero, homo e bissexual?

Ainda muito criticados por diversas religiões, o tema “homossexualidade” (não é homossexualismo, pois não é doença) vem sendo discutido com maior frequência. Mas e entre animais? Será que a sexualidade é semelhante à humana? Será que existe cachorro e gato gay?

Peter O'Connor aka anemoneprojectors/Creative Commons

Peter O’Connor aka anemoneprojectors/Creative Commons

Na natureza, é extremamente comum ver animais do mesmo sexo tendo relações. O sexo não é apenas uma forma de reprodução. Em algumas espécies, oferecer prazer é uma forma de fazer amizades, conquistar poder, relaxar e até evitar brigas.

Insetos, aves e mamíferos já foram vistos em relações homossexuais. A grande diferença é que, na maioria dos casos, as relações não são de longo tempo. Antropomorfizando: é apenas uma ficada.

A homossexualidade restrita, com parceiro para a vida toda e constituição de família, foi apenas observado em alguns grupos de animais domesticados, como os carneiros. Nas outras espécies, nada foi comprovado cientificamente.

Mas e em cães e gatos?

Ido Soen/Creative Commons

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O que acontece no caso dos nossos peludos domesticados é a alteração excessiva de habitat natural. A taxa de machos e fêmeas que há em casa, ou em parques, não é a mesma encontrada na natureza. Alimentação, atividade física e formação de grupo estão completamente diferentes. Até a produção e a liberação de hormônios sexuais não é a mesma de animais “selvagens”. Por isso, assim como algumas espécies, quando ocorre tamanha alteração e há mais fêmeas do que machos (ou vice-versa), observa-se uma tendência em haver casais homossexuais.

Outra situação muito comum entre cães e gatos é a antropomorfização. Olhamos comportamentos naturais dos cães e julgamos através do olhar humano. Por exemplo, um cão de pequeno porte, que gosta de andar com roupas cheias de pelúcia ou adornos, pode parecer meio gay para alguns. Na verdade, ele pode gostar de usar esse tipo de roupa, por se sentir mais seguro ou maior.

Eddy Van 3000/Creative Commons

Eddy Van 3000/Creative Commons

Cães machos, não castrados, na juventude, por volta dos dois anos, estão com os hormônios a flor da pele. Ao encontrar qualquer outro cão, tentarão copular. Não importa se é macho ou fêmea.

O mesmo acontece nos primeiros trinta minutos de vida dos machos das moscas-das-frutas. Eles tentam copular com qualquer outra mosca, seja macho ou fêmea. Só depois eles aprendem a reconhecer o odor das fêmeas virgens e se concentram nelas. O mesmo acontece em sítios de reprodução de tartarugas marinhas.

E qual a explicação para isso?

Henri Haneveer/Creative Commons

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Nos casos dos animais não-humanos, muitos dos comportamentos de homossexualidade e bissexualidade podem (e normalmente têm) uma explicação evolutiva por trás.

Os besouros-castanhos machos, por exemplo, copulam entre si e até depositam esperma no parceiro. Se o macho que estiver carregando esse esperma (de outro macho) acasalar com uma fêmea, o material genético poderá ser transferido. Isso aumenta o sucesso reprodutivo do macho que depositou o esperma no outro macho, sem precisar ter o trabalho de cortejar e acasalar com a fêmea.

Muitas espécies de aves, são fiéis para a vida toda, com um único parceiro. O albatroz-de-laysan vive no arquipélago americano do Havaí e é desses que permanecem “casados” por toda a vida, e participam ativamente dos cuidados com os filhotes.

Michael Lusk/Creative Commons

Michael Lusk/Creative Commons

Mas em uma população da ilha de Oahu, quase metade dos casais são formados por duas fêmeas, sem parentesco entre si. Mas a união não é em vão. Elas cuidam dos filhotes que geraram a partir das “puladas de cerca” dos machos em “união estável”.

Uma fêmea sozinha talvez não conseguisse chocar o ovo, cuidar do filhote, aquece-lo e buscar comida sozinha. É preciso de um(a) companheiro(a). Assim, a relação homossexual, se torna a melhor opção para sobrevivência de todos. Esse tipo de situação é mais rara de se observar quando uma população tem uma proporção mais equilibrada entre machos e fêmeas.

No caso nos macacos bonobos, o sexo é muito mais que um ato de reprodução. Muito ativos sexualmente, machos e fêmeas apresentam comportamentos homossexuais.

Markus Machner/Creative Commons

Markus Machner/Creative Commons

O sexo entre indivíduos dessa espécie também tem a função de consolidar as relações sociais. Bonobos podem usar o sexo para se aproximar de membros dominantes do grupo (os conhecidos alfas) e assim ganhar mais status. E quando estão estressados ou tristes, costumam confortar uns aos outros, com abraços e atos sexuais. E não importa qual o gênero do indivíduo. É comum ver indivíduos do mesmo sexo se relacionando.

Talvez, muitas espécies seriam melhor descritas como bissexuais, pois transitam facilmente entre os dois comportamentos e não mostram uma orientação sexual definida. Talvez o preconceito de se relacionar com indivíduos do mesmo sexo seja um tabu para humanos, mas não para os nossos peludos.