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Mais cedo ou mais tarde você vai se deparar com o fatídico medo de autorizar a cirurgia no seu pet, devido à anestesia. Quantas são as estórias que ouvidos dos animais que ficaram na mesa de cirurgia?! E animais idosos, você autorizaria uma operação?! Diversos mitos ainda existem sobre esse tema. Vou tentar te ajudar a ficar mais tranquilo(a) em relação ao que tange a anestesia.

O que há de novo?

Anestesiar um animal para a cirurgia não é simplesmente colocá-lo para dormir. Não basta injetar uma droga, aguardar ele perder a consciência e começar a cirurgia. Hoje, há diversos veterinários que se especializam para trabalhar exclusivamente como anestesistas.

Seja uma simples castração ou uma operação mais invasiva e demorada, é de extrema importância que haja um veterinário concentrado unicamente nos parâmetros vitais do animal, bem como mantê-lo sedado e sem dor.

Há anos atrás, utilizava-se uma única droga para fazer a anestesia. Muitos acreditavam que o animal, mesmo imóvel, continuava sentindo dor. Hoje, com os diferentes protocolos e a associação de diferentes fármacos, isso não acontece mais.

Meu cachorro pode morrer por conta da anestesia?

Segundo o médico veterinário Alexandre Merlo, gerente técnico de animais de companhia da Zoetis, o fato do anestesista não utilizar somente um fármaco, mas vários, faz com que as chances de intolerância ou alergia diminuam. “Ao invés de usar 100% de uma única droga, o veterinário pode escolher utilizar três diferentes drogas, que vão fazer o mesmo efeito, com maior margem de segurança ao animal” explica.

Todavia, a maior certeza de que tudo irá correr bem está nos exames pré-operatórios. “Com esses exames, o veterinário sabe como está o estado de saúde do animal e pode adequar o protocolo anestésico para cada indivíduo” pontua Dr Alexandre.

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Animais idosos podem ser anestesiados?

O maior mito que envolve a anestesia é em relação a animais idosos. Muitas vezes eu escuto que o cachorro não pode ser operado devido à idade. Segundo o Dr Alexandre, muitas vezes, o motivo da cirurgia é muito mais grave do que o risco da anestesia. “Com a possibilidade de adequar o protocolo anestésico para cada animal, utilizando diferentes drogas, em quantidades específicas, é possível anestesiar animais idosos, cardiopatas e até com problemas renais” conta.

O mais importante para qualquer caso, idoso, cardiopata ou mesmo os novinhos, é fazer os exames pré-operatórios. Com os exames em mãos, o veterinário poderá entender melhor como está o estado do animal e ter mais segurança durante o procedimento.

Meu cachorro/gato está com mau hálito: o que fazer?

Vamos supor que um cachorro idoso esteja com muito tártaro nos dentes. Mas, por ter problema renal, os tutores ficam com receio de fazer a cirurgia. Mesmo parecendo uma questão de estética ou de melhora do hálito, a doença renal pode piorar a depender do estágio da doença periodontal. As bactérias da boca podem cair na corrente sanguínea e facilitar o avanço da doença renal. Por isso, vale a pena submeter o animal ao procedimento cirúrgico. Quem deve avaliar isso é o médico veterinário e o anestesista.

Precisa ter um veterinário anestesista em todas as cirurgias?

O Dr Alexandre é consistente em dizer que a presença de um veterinário anestesista pode ser crucial nos casos em que haja problemas. “Na maioria das vezes, não há qualquer tipo de problema durante o procedimento. Mas ter um veterinário focado exclusivamente no aferimento dos parâmetros vitais, como pressão, batimento cardíaco e respiração, pode garantir que qualquer alteração possa ser resolvida rapidamente, sem colocar em risco a vida do animal” alerta.

Sei que a presença do anestesista na cirurgia pode acrescer uns R$ 380,00 no valor total do procedimento. Mas é esse valor que pode garantir o animal sair vivo e bem da mesa cirúrgica.

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Por que o animal precisa estar em jejum para ser anestesiado?

Muitos tutores não seguem a recomendação do veterinário de fazer jejum pré-cirúrgico. Dá muito dó aquele cachorrinho olhando com aquela carinha pedindo comida. Mas pior do que não resistir àqueles olhinhos de Shrek é não contar para o veterinário que oferecer algo ao peludo.

Quando o veterinário acredita que o animal está em jejum, fará um certo protocolo anestésico. Alguns deles facilitam que o animal regurgite o conteúdo estomacal. Ou seja, se ele tiver comido antes da cirurgia, poderá vomitar tudo. O problema não é esse. A grande questão é quando o animal aspira esse vômito, podendo causar pneumonia e levar o animal a óbito.

Todavia, se o tutor avisar que o animal comeu nas últimas horas que antecederam a cirurgia, o protocolo pode ser alterado, para que não haja vômito durante a cirurgia.

Resumindo….

– não tenha medo da anestesia. Tire todas suas dúvidas com o médico veterinário

– exija a presença de um veterinário anestesista na cirurgia

– faça os exames pré-operatórios

– siga as recomendações do veterinário. Se não seguir, avise o veterinário antes da cirurgia.