janeannv/Creative Commons

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Psicólogo para crianças e adestradores para cães se tornaram profissionais quase que obrigatórios. Mas será que o adestramento resolve? Quando contratar um adestrador?

O adestrador virou sinônimo de solucionador de problemas comportamentais. Após adquirir o filhote, o tutor já pede indicação ao veterinário ou ao vizinho sobre um bom adestrador para deixar o cão “comportado e obediente”.

O que é adestramento?

thornypup/Creative Commons

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Baseado em comportamentos naturais do cão, o ser humano descobriu como solicitar comandos ao animal e recompensá-lo por isso. O comando mais básico, o senta, pode ser ensinado para qualquer cão (e até gatos) de qualquer idade ou porte.

Outros comandos básicos são o “dá a pata”, deita, fica e vem. Mais do que tornar o cão um robô, a técnica funciona para melhorar a comunicação entre cães e humanos.

Mas o adestramento vai além de um simples “senta”. No momento que você pede para seu cão executar as ações e o recompensa, há uma interação positiva entre vocês. O cão é estimulado e fica feliz por receber a recompensa/petisco/carinho.

Mais do que uma aula de comandos, o adestramento deve ser um momento alegre entre tutores e cães.

A recompensa

Stuart Dootson/Creative Commons

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É muito importante recompensar o cão após cada comando executado corretamente. O mais comum é a utilização de petisco. Mas para cães com problemas alimentares, como diabetes ou mesmo obesidade, é indicado recompensá-lo de outra forma.

Nem sempre o mais óbvio é o mais adequado. Devemos observar qual o maior interesse do animal. Tem cães que trocam qualquer petisco por uma boa bolinha. Então, esse brinquedo será a melhor recompensa para o peludo.

Há casos, que a recompensa pode ser até um passeio. Basta colocar a coleira no animal, pedir alguns comandos simples, como senta, pata e deita e sair para um belo passeio.

É muito importante observar as características de cada indivíduo para poder ensiná-lo da melhor forma, que ele aprenda e se divirta.

Adestramento resolve mesmo?

Viv Lynch/Creative Commons

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Se você busca o adestramento para gritar comandos verbais, para que seu cachorro obedeça em momentos que ele estiver aprontando, esqueça.

Gritar a palavra senta, quando uma visita chega, para que o cão não pule, pode deixar cachorro e tutor frustrados.

Aquele conceito de adestramento militar caiu por terra. Nem mesmo os militares utilizam os comandos para esse fim, com cães de trabalho.

Muitas vezes, o adestrador é procurado quando há alguma queixa comportamental por parte do tutor. O que, normalmente, se espera é que o profissional faça três ou seis meses de aula e devolva um cão super comportado e tranquilo. Tudo isso, sem que o tutor tenha muito trabalho.

O adestramento deve ser feito diariamente

Sangudo/Creative Commons

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Você pode contratar um adestrador, ele irá a sua casa e ensinará os comando ao cão. Mas é fundamental que esses ensinamentos sejam executados diariamente por todos que convivem com o animal. Por isso, é extremamente importante acompanhar as aulas de adestramento, para aprender como o adestrador faz, e repetir.

Sem esse reforço diário, o trabalho do adestrador irá regredir ou mesmo não surtir efeito, sem a presença do profissional.

É muito comum tutores falarem que seus cães foram adestrados, mas esqueceram tudo. Isso só acontece quando não há esse reforço diário.

O adestramento é como uma aula de matemática. Além de estimular o mental do animal e trazer desafios, é importante ter pequenas aulas, de 15 a 30 minutos, diariamente. Mais do que isso, poderá se tornar algo chato e sem graça para o animal.

Uma dica é, antes de colocar o pote de ração, pegar alguns grãos e pedir para que ele execute os comandos aprendidos e recompensá-lo com a própria ração.

Qual a diferença entre adestramento e terapia comportamental?

airwaves1/Creative Commons

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O adestramento irá melhorar a comunicação entre tutor e cão, irá desafiar mentalmente o animal, auxiliar no gasto de energia e aumentar a obediência. E só!

Problemas comportamentais como coprofagia (comer coco), ansiedade por separação, excesso de lambedura de patas, medo, agressividade, entre outros, não serão resolvidos com o adestramento. É importante fazer mudanças na rotina e entender o motivo do problema.

Por isso, há a terapia comportamental. Nem sempre o adestrador trabalha com terapia comportamental. Às vezes, é necessário buscar um psicólogo de animais ou mesmo um médico veterinário especialista em comportamento animal.

Na terapia, pode até utilizar alguns comandos de adestramento, mas a maior parte do tratamento deve ser feito pelo tutor, com acompanhamento do profissional. A grande diferença está na mudança da rotina e pequenos hábitos que farão a diferença no resultado do tratamento.

Quando devo buscar um psicólogo de cachorro?

RSPCA WOAW/Creative Commons

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No mundo perfeito, o terapeuta comportamental deve ser a segunda consulta da vida do cão. A primeira será com o médico veterinário, para ver como está a saúde geral, falar sobre vacinas e vermifugação. A segunda consulta deveria ser com o terapeuta comportamental para prevenir possíveis problemas comportamentais e orientar qual o melhor local para cada coisa do animal.

Qual brinquedo é ideal para o cão, qual coleira comprar, como iniciar os passeios, como fazer a socialização com outros animais, onde deixar pote de água e caminha, são algumas das diversas orientações que o terapeuta comportamental irá fornecer durante a consulta. Tudo isso fará uma enorme diferença no desenvolvimento do animal.

Mas, se você não fez isso e agora está com problemas, você pode solicitar uma consulta comportamental para resolver a situação que se apresenta. Pode ser desde coisas simples (aparentemente), como roer os móveis ou xixi no lugar errado, até agressividade.

O mais importante é não se acomodar com o comportamento inadequado do pequeno. Lembre-se que ele pode estar em sofrimento, por isso age de uma forma que lhe desagrada. Além de melhorar o comportamento no animal, a consulta comportamental e o adestramento visam o bem estar do peludo.

Animais de qualquer idade, de diferentes portes e raças podem passar por adestramento e terapia comportamental.