gatinho preto e branco

A proteína da saliva do gato causa alergia em humanos – Lea NAVIDI/Creative Commons

Muitas pessoas têm alergia a gatos. Acreditava-se que era devido ao pelo dos felinos. Mas hoje, com o avanço das pesquisas, já se sabe que a causadora dos quadros alérgicos em humanos é uma proteína na saliva, chamada Fel d 1.

Como os gatos têm o hábito de se lamber para se higienizar, depositam a saliva e a proteína causadora da alergia nos seus pelos e caspa. Quando o ser humano entra em contato com o a pelagem do gato (que está nele ou solta pelo ambiente), obrigatoriamente também se aproxima da Fel d 1. Essa proteína é responsável por até 95% dos casos de alergias.

Os gatos já são a maioria entre os pets em diversos países. No Brasil, os cães ainda superam em número. Um dos grandes fatores que levam tutores a decidirem por ter cão e não gato é a alergia. Em menor ou maior grau, ninguém deseja ficar com crise de rinite só por ter contato com gatos.

Isso sem falar nas visitas. Muitas vezes deixei de receber amigos e até familiares em casa por serem alérgicos aos gatos. Por mais que eu limpasse com esmero a casa, pequenas partículas de saliva ainda permanecem em tecidos, móveis, chão e até no ar, nas casas dos gateiros.

gato deitado com escova

Mesmo que escove o gato diariamente, ainda há partículas de saliva no ar – Russ Allison Loar/Creative Commons

Solução para alergia a gato

A marca de ração Pro plan acaba de lançar um alimento chamado Live Clear. Capaz de reduzir em até 47% o nível de alérgenos dos gatos, pode ser a solução para que mais pessoas tenham um felino em casa.

A médica-veterinária especializada em felinos, Vanessa Zimbres, da clínica Gato Gente Boa, explica que esse é um alimento cat friendly, já que possibilita maior interação entre humanos e gatos.

Dra. Vanessa pontua que ainda não se sabe o real papel da proteína Fel d 1, causadora da alergia. Por isso, o alimento não poderia reduzir em 100% a alergia. Já que isso inativaria por completo a produção da proteína podendo causar consequência para a vida do animal.

Com essa inovação, será possível para pessoas alérgicas a gato se aproximarem dos bichanos. “Há a possibilidade de aumento no número de gatos nos lares brasileiros, inclusive dos adotados” conta Dra. Vanessa.

O ponto negativo é que o tutor ficará totalmente dependente desse alimento, uma vez que se gato parar de consumi-lo, voltará a produção normal de Fel d 1. “O que preocupa é a oscilação do mercado brasileiro, já que diversos produtos são descontinuados devido aos altos custos de produção e impostos. A partir do momento que o gato começar a ingerir esse tipo de alimento, deverá assim fazer pelo resto de sua vida para manter os níveis baixos de Fel d 1” alerta.

Raça de gato antialérgico

médica-veterinária com gato sphynx

Gato Sphynx também pode dar alergia – Foto: Vanessa Zimbres

Existe uma raça chamada Sphynx, que ficou conhecida como o gato antialérgico. No Canadá, uma gatinha, de tempos em tempos, dava cria a gatinhos sem pelos. Foi uma mutação natural de um gene responsável pela pelagem. Para manter a característica, esse filhotes pelados foram cruzados com gatos da raça Devon Rex. Assim surgiu o Sphynx. Mas, por essa caraterística peculiar da pelagem, eles possuem muita oleosidade na pele e devem ter cuidados bastante específicos.

Como anteriormente acreditava-se que a alergia ao gato era devido ao pelo, a raça se tornou a solução para quem amava os felinos, mas era alérgico. Todavia, com a descoberta da proteína da saliva, entendeu-se o motivo que, mesmo quem tinha gatos Sphynx, continuava tendo quadros alérgicos. Afinal, mesmo sem pelos, os gatos se lambem para fazer a higiene e liberam Fel d 1.

Banho em gatos resolve alergia?

dois gatos na banheira

Gatos não precisam tomar banho – Shannon Badiee/Creative Commons

Segundo a Dra. Vanessa, os gatos não precisam tomar banho com frequência, já que são capazes de fazer sua própria higiene. Mas no caso de tutores alérgicos, os banhos podem, sim, ajudar. Tudo vai depender da sensibilidade do tutor. “Na maioria das vezes em que o tutor tem alergia, quando o gato toma banho os sintomas diminuem. A frequência do banho vai depender da sensibilidade do tutor. Há casos em que banhos a cada 3 meses ajudam a diminuir os sintomas de alergias nos tutores”.

Apesar dos gatos serem famosos por não gostarem de banho, é possível dessensibilizar o felino para que ele goste ou pelo menos tolere o banho. Na verdade, o que eles odeiam é ser obrigados a fazer algo. Mas se o banho se tornar um convite para brincar, pode ser uma situação até divertida para eles.

“É preferível que o gato tenha um lar, mesmo que tenha que tomar banho com maior frequência, do que ficar em uma ONG ou mesmo na rua” reflete.