Moonythewitch/Creative Commons

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Tudo o que os donos querem é uma poção mágica que acalme seu cão e deixe-o educado, sem dar trabalho. Infelizmente isso ainda é impossível. Porém, chega ao brasil neste mês, um produto que poderá ajudar no comportamento de diversos cães. Adaptil é um feromônio sintético, que se assemelha à sensação de tranquilidade e de se sentir em casa, como colo de mãe.
A ideia do produto é simular o mesmo sinal químico emitido pela mamãe cachorra, durante a amamentação, para seus filhotinhos. Ao receber este sinal, mesmo não estando com a mãe, o cachorro, de qualquer idade, sente-se mais seguro e tranquilo. Por isso, a eficácia é alta.

Kavi/Creative Commons

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O que é um feromônio?
Os animais se comunicam de diversas formas. Uma delas é através de sinais químicos. “Os feromônios são como hormônios, mas são liberados para fora do organismo do animal, com o objetivo de comunicação” ensina a Médica Veterinária Comportamentalista da Psicovet, Daniela Ramos. Para nós, seria como se fosse um cheiro ou demarcação de território. Porém, não sentimos cheiro algum, pois os humanos não têm o órgão responsável por captar esse odor.
Localizado na altura do céu da boca, o órgão de Jacobson ou órgão vomeronasal capta diversos cheiros, incluindo os feromônios liberados por cães e gatos.
Parece complicado, mas você já presenciou a atuação desse órgão diversas vezes. Sabe quando seu gato cheira uma grama ou a sua roupa, e, após cheirar, fica segundos com a boca aberta? Ele está utilizando o órgão vomeronasal para captar os sinais químicos deixados por outro animal.

Roei Zilber/Creative Commons

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Você já viu cães que esfregam a patinha na grama após fazer xixi? E gatos que esfregam o focinho na perna ou nos móveis? Em todos esses casos, eles estão liberando feromônios, para se comunicar com outros animais que poderão passar por ali.
Para nós, não há cheiro, no máximo uma babinha de gato. Mas para eles, são sinais muito importantes, que podem alterar um comportamento.
Os cientistas perceberam a importância dessa comunicação química dos animais e desenvolver os mesmos odores, porém sintéticos. Eles podem ser utilizados em casa, na caixa de transporte ou em qualquer local que possa auxiliar na melhora do comportamento do animal.
Como funciona?
O feromônio de cães e gatos pode ser liberado pelas patas, focinho, ânus, região genital e glândulas mamárias (em fêmeas).

Foto: Ceva

Foto: Ceva

No caso do Adaptil, os pesquisadores isolaram o princípio químico do feromônio da glândula mamária, que a cadela libera ao amamentar. Assim, confeccionaram um análogo sintético, para auxiliar no bem-estar dos cães e melhor convívio com o ser humano, ao controlar alguns comportamentos indesejados pelo tutor.
Ao entrar em contato com esse sinal químico, o cão é remetido para a sensação da amamentação, do aconchego e da tranquilidade. Assim, muitas situações angustiantes, como fogos, barulhos altos, andar de carro, adoção, primeira noite na casa nova, ou até mesmo a ida ao veterinário, pode se tornar menos traumática para cães e, consequentemente, humanos.
“Vale ressaltar que a fórmula não é sedativa, não tem efeito em pessoas e em outras espécies de animais que convivem no mesmo ambiente”, esclarece a Médica Veterinária, gerente de produtos da unidade Pet da Ceva, Priscila Brabec.
Gatos também podem usar?

Regina/Creative Commons

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O feromônio de gato é diferente do de cães. Por isso, há outros produtos, específicos para uso em felinos. Um nome muito conhecido entre os criadores de gatos é o Feliway. Já a venda no Brasil, este produto pode auxiliar em casos de demarcação de território por urina, arranhadura em local inadequado, perda de apetite e excesso de medo.
“O Feliway é a cópia de um dos feromônios liberados pela face do gato, que geralmente eles depositam quando estão se esfregando. Eles fazem isso para demarcar território, para auxiliar na localização e navegação pelo ambiente e quando estão bem” explica a Dra Daniela.
Como utilizar?

swong95765/Creative Commons

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Os feromônios sintéticos presentes no mercado, tanto para cães, quanto para gatos, tem uma forma específica de utilização. Em formato spray e difusor (desses que coloca na tomada), o produto deve ser utilizado com mais frequência. Não apenas no momento de sair de casa para ir ao veterinário, por exemplo.
No caso do spray, o ideal é borrifar o produto na caixinha de transporte, por exemplo, esperar vinte minutos e então colocar o cão ou gato. Como o veículo de dispersão é o álcool, se entrar logo em contato com o produto, o peludo irá se sentir incomodado pelo cheiro do álcool.
Já o difusor, deve ser colocado na parede e lá permanecer por pelo menos sete dias. Ao ser aquecido, o odor será depositado em superfícies próximas ao difusor. Ele tem uma área de cobertura de 50 m2, sem paredes. Por isso, se sua casa for muito grande ou com muitas paredes, o ideal é colocar mais de um difusor.
Não funciona!

PRODavid McCudden/Creative Commons

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Os feromônios sintéticos têm utilizações específicas. Não são poções mágicas que resolvem qualquer comportamento. O Adaptil, por exemplo, não é indicado para casos de hiperatividade ou agressividade entre cães ou com pessoas. No caso de Feliway, não é recomendado utilizar em caso de briga entre gatos. “O comportamento animal é muito complexo, por isso, recomendamos sempre a orientação do médico veterinário ou profissional habilitado”, alerta Priscila.
Psicovet – Primeiro Centro de Medicina do Comportamento Animal

Foto: Psicovet

Foto: Psicovet

Seu peludo está se comportando de forma inadequada? Sabia que existem médicos veterinários que só tratam o comportamento? Essa é a ideia da Psicovet, uma clínica especializada em atendimento comportamental de cães e gatos.
Uma forma de trabalhar o comportamento, é exatamente através dos feromônios. “Para atender gatos, podemos borrifar o feromônio nas nossas mãos e também no ambiente. Isso faz com que ele se sinta mais tranquilo e responda melhor ao tratamento” informa a médica veterinária comportamentalista da Psicovet, Juliana Gil.
Além de consultas para cães e gatos, a Psicovet oferece cursos para tutores e profissionais não-veterinários. Ficou curioso sobre os feromônios e quer saber mais informações? Converse com o veterinário ou busque os cursos da Psicovet.