Eddie~S/Creative Commons

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Costumo receber muitas solicitações de consultas comportamentais para algumas raças específicas. Os problemas apresentados pelos animais são os mais diversos possíveis. Porém, uma coisa todos têm em comum: excesso de energia e falta de exercício específico para a raça.

Antes de ter um cão, o tutor deve entender qual a sua disponibilidade de tempo e ânimo para lidar com toda demanda que o cachorro irá requerer. Por serem fofinhos, ainda mais quando filhotes, muitos acabam não pensando em todos os detalhes, muito menos pesquisando sobre a raça.

Esse é o mais grave dos erros, que irá transformar a vida do humano e do cão em pesadelo. Não basta saber se é dócil com crianças e bonzinho com visitas. É importante saber sobre as necessidades da raça, a origem da linhagem, doenças mais comuns e os comportamentos ruins mais observados por tutores.

Pensar que “minha vizinha tem um Golden super dócil, que visita um lar de idosos, e por isso quer ter um cão dessa raça“, é igual pensar “minha chefe tem um carro ótimo, super econômico e vou comprar um igual”. Animais não são máquinas e cada um tem sua personalidade. Não é porque você viu um cão lindo no parque, que deve querer ele. Talvez, a cachorro que você mais deseja possa fazer parte da lista dos piores cachorros para se ter em apartamento.

Cuidado!

Judit Bermúdez Morte/Creative Commons

Judit Bermúdez Morte/Creative Commons

Labrador

O famoso filme “Marley & Eu” não é exceção à regra. Quase todos os labradores são atentados e necessitam de muito espaço, gasto energético e muita, mas muita paciência. Deixá-lo no quintal da casa só irá trazer problemas, tanto para o tutor, quanto para o cão. Já atendi um labrador, que ficava na garagem, e o tutor enlouqueceu quando ele comeu os cabos do freio do carro. Esse comportamento de destruição é muito comum nesta raça, se não tiver muita atividade. Quando eu digo muita, falo em três a quatro horas de exercício intenso por dia, como caminhadas.

Corinne Benavides/Creative Commons

Piores raças de cães para ter em apartamento – Corinne Benavides/Creative Commons

Border Collie

Considerado o mais inteligente dos cães, os cães da raça Border Collie está super na moda. O que muitos não sabem é que a inteligência não é sinônimo de tranquilidade. Não é pelo fato dele ser muito obediente, que ele não vai dar trabalho. Essa raça foi desenvolvida para pastorear rebanhos de ovelhas ao longo do dia todo. Se você deixá-lo dentro de um apartamento, ele vai pastorear o seu calcanhar, ou do seu bebê que está aprendendo a andar. Esse cão precisa de estímulos mentais diferentes todos os dias. Se enfadado, ele irá buscar o que fazer e provavelmente comerá algo que não irá lhe agradar.

Lesley Wilson/Creative Commons

Lesley Wilson/Creative Commons

Golden Retriever

Lindos e dourados, os goldens são o sonho de 8 entre 10 tutores. Ainda mais se houver criança na casa. Sempre que alguém me pergunta o que eu acho da raça, eu respondo: “Ele é perfeito, na casa do vizinho”. Não é para qualquer um ter um cão dócil, amável e que se acha um shitzu. O Golden quer ficar o tempo todo junto, agarrado, dormindo na cama, recebendo carinho, ir para todos os lugares com você e fazer diversos amigos. Se sozinho em casa, ele irá aprontar. Antes dos três anos, não espere ter um cão tranquilo em casa.

Hilary Halliwell/Creative Commons

Piores cachorrros para terem apartamento – Hilary Halliwell/Creative Commons

Beagle

O conhecido cão Snoop é pacato e feliz. Muito diferente do verdadeiro cão da raça beagle. Eu costumo comparar esta raça a um cupim. Ele irá comer todos os seus móveis de madeira e outras coisas que você der bobeira. Tudo isso, pois a raça foi desenvolvida para passar o dia farejando a caça. Se ele não tiver atividade adequada para a raça, ele vai ser a sua pior aquisição.

tjortenzi2012/Creative Commons

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Pug

Esta raça foi desenvolvida para ter cara de filhote a vida toda. Enrugado e de olhos esbugalhados, o Pug está se tornando uma febre entre os moradores de apartamento. Ele não destrói tanto quanto outras raças, mas ele precisará de cuidados veterinários intensos. Olhos, pele, focinho, respiração, coração e intestino são os calcanhares de Aquiles da raça. Mesmo que bem cuidado, o pug precisa frequentar mensalmente a clínica veterinária. Para ter esse fofinho, você deve ter disposição financeira e tempo.

funeyes/Creative Commons

funeyes/Creative Commons

Spitz alemão ou lulu da pomerânia

Outra raça da moda, as mini-raposas são ótimas companheiras e se adaptam a qualquer tamanho de residência. Porém, muito ativos, os lulus tentam subir e descer de todos os locais, como sofás e camas. Devido ao seu tamanho diminuto, são grandes candidatos a problemas articulares e de patela. Fraturas por queda não são raras.

HackBitz/Creative Commons

HackBitz/Creative Commons

Teckel ou dash hound

O salsicha mais charmoso e temperamental. Uma vez fui chamada para atender uma senhora de emergência. Ela estava em cima do sofá desesperada. Ao tentar sair de casa, os seus dois teckels não gostaram da ideia e latiram até encurralá-la em cima do sofá. É a pior raça para quem não tem pulso firme e se assusta com qualquer rosnado. Além disso, muitos cães dessa raça, quando idosos, passam a apresentar problemas de locomoção. Se não tratado de forma adequada, podem ficar paraplégico.

O problema não são as raças, mas o perfil do tutor que as têm. É muito importante a pesquisa prévia antes da aquisição, para que não haja frustração. O melhor cão é aquele que tem necessidades que vão de encontro a disponibilidade do seu tutor.