gato no consultório veterinário

Consulta veterinária – Lindsey Turner/Creative Commons

Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que, até o momento, não há evidência significativa de que animais de estimação possam ficar doentes ou transmitir o novo coronavírus. Mesmo assim, a recomendação é de que as pessoas infectadas evitem o contato com seus cães e gatos.

Mesmo diante desse cenário, por cautela, o CFMV  (Conselho Federal de Medicina Veterinária) ratifica o posicionamento da OMS e recomenda que os tutores infectados também façam quarentena de convivência com os cães e gatos.

Veterinário durante a quarentena

cachorro em consulta veterinária

Atendimento veterinário durante a quarentena – Sheri Terris/Creative Commons

No meio do isolamento social, minha cachorra, Aurora, começou a passar mal. Tentei evitar sair de casa, mas não teve jeito. Liguei para o hospital veterinário, marquei hora e levei a Aurora para passar em consulta.

Ao me receber no consultório, nada de aperto de mão ou proximidade do veterinário. Com portas e janelas abertas, o consultório estava bem arejado e sem cadeiras. Coloquei a Aurora na mesa de atendimento e me afastei para que ela fosse examinada.

Exame feito, temperatura medida, perguntas feitas, tudo com pelo menos um metro de distância. Após, o veterinário pediu para eu pegar a Aurora e lavou muito bem suas mãos.

Por fim, me entregou a receita da medicação e eu segui para a recepção. No balcão, um pote de álcool em gel. Já aproveitei para higienizar minhas mãos e as patas da Aurora. Fiz o pagamento e voltei para casa.

Antes de entrar, tirei sapato, limpei a Aurora com banho a seco e toalha. Então, corri para o banho. Pode parecer exagero. Mas melhor mais do que menos, tanto para nos preserva, quanto os profissionais da área pet.

Palavra do CFMV

Os médicos-veterinários, como profissionais de saúde, por enquanto e até segunda ordem, estão autorizados pelos governos estaduais a manter o atendimento normal em clínicas e hospitais veterinários. Isso pode variar de uma região para outra do país e os profissionais devem sempre observar e respeitar as restrições determinadas pelas autoridades locais.

Para manter o atendimento e, ao mesmo tempo, contribuir para conter a proliferação do coronavírus, o CFMV estimula que o atendimento seja feito com a presença de apenas um único tutor, evitando a aglomeração de pessoas nas clínicas e pet shops. Além disso, recomenda-se que os tutores evitem visitar os animais internados. Também sugere que serviços que não são de urgência e emergência sejam reprogramados, afastando uma exposição desnecessária nesse momento crítico de propagação do novo coronavírus.

O atendimento a distância continua proibido, conforme determina o Código de Ética do médico-veterinário. “A consulta clínica deve ser presencial, seja no consultório ou em domicílio, mas, sempre que possível, de forma restrita, individualizada, reduzindo aglomerações”, alerta Ferreira.

O Conselho Federal ainda orienta que os profissionais sejam mais severos com a higienização dos ambientes, limpando o recinto a cada atendimento. Limpar principalmente o mobiliário e os utensílios que tiveram contato direto com o animal ou com o tutor, como mesas, bancadas, instrumentos, cadeiras e tudo que foi utilizado durante o atendimento dos pacientes. As recepções também devem intensificar a limpeza.Nas cirurgias, manter o processo padrão de assepsia.

sala de cirurgia veterinária

Cirurgias podem acontecer normalmente – Joint Hometown News Service/Creative Commons

Pet shops fecham na quarentena?

Apesar da liberação do governo, para manter os pet shops abertos, muitos estão fechando suas portas. Isso porque seus funcionários dependem de transporte público e podem facilitar a contaminação, tanto para clientes, quanto para a própria família do funcionário.

No It Pet Shop, localizado na zona oeste de São Paulo, a maior parte do efetivo foi dispensado. A veterinária atende somente com hora marcada e sob demanda. Já a tosadora, vai e volta de Uber, pago pelos donos do pet shop. Os banhos e atendimentos têm sido realizados pelos próprios sócios. Mariana Castro, sócia do pet shop, pontua que essas ações são para evitar transmissão e preservar os funcionários.

Na zona sul de São Paulo, o pet shop Pet Town, também reduziu o número de atendentes (permaneceram os que não dependem de transporte público) e diminuiu o número de banhos. Tudo isso para evitar o encontro de  clientes por vez dentro do pet. “Na sala de espera, colocamos mais frascos de álcool gel e afastamos as poltronas” explica Mariane Taira, proprietário do Pet Town.

Na zona sul, houve desespero por parte dos tutores para estocar ração, tapetes higiênicos e medicamentos. “O medo é constante. Muitos clientes passaram a nos perguntar se corre o risco de faltar ração. Tentamos fazer terem calma, mas na verdade, nem nós sabemos. Então orientamos levar para o mês, e vamos avisando sobre entregas, se os fornecedores vão ou não parar” relata Taira.

Já na zona oeste, as pessoas estão pedindo os itens mais necessários aos poucos, utilizando o sistema de delivery. “Ração, petisco e brinquedo são os mais pedidos. Coleiras e itens menos urgentes estão vendendo menos” aponta Mariana.

Sobre as vendas, a Taira é enfática ao dizer: “não sabemos como serão os próximos meses”. Mariana, do It Pet Shop já se adiantou. Pediu diminuição do aluguel e parcelou os valores com os fornecedores. “Não podemos fechar. As contas continuam a chegar. E para muitos cães, o banho é necessidade primordial. Quando sujos ou com cheiro, seus tutores os impedem de ter uma rotina normal, como subir na cama ou ficar dentro de casa” diz Mariana.

Veja no vídeo abaixo como lidar com a assepsia do seu pet e atividades para fazer dentro de casa

Recomendação aos profissionais pet

Sabemos que a Covid-19, causada pelo novo coronavírus, tem provocado uma mudança muito grande na rotina de toda a população. Pensando nisso, a Zoetis sugeriu algumas medidas para auxiliar a minimizar a transmissão da Covid-19 entre tutores e médicos veterinários.

Sabemos que nem todas as medidas são passíveis de adoção em todos os locais. Porém, qualquer atitude neste momento pode fazer uma grande diferença.

  1. Dê preferência para atendimentos com hora marcada. Certifique-se de que o horário entre consultas seja adequado para evitar reunião de pessoas na sala de espera;
  2. Durante a confirmação da consulta, pergunte se alguma pessoa da casa que trata o animal tem sintomas respiratórios, orientando que não venham para a consulta com seu animal;
  3. Providencie um dispenser com álcool gel na recepção da clínica, orientando os donos de animais a utilizá-lo antes e após cada consulta;
  4. Separe as cadeiras da sala de espera o máximo possível para evitar a aproximação de clientes;
  5. Reduza a frequência e duração de visitas de animais internados, assim como o número de visitantes. Por exemplo, visitas uma vez ao dia e de 15 minutos, somente;
  6. Caso algum de seus funcionários apresente sintomas respiratórios, oriente-o a ficar em casa até a cura clínica. Em caso de Covid-19 confirmada, deve-se respeitar o período de quarentena de 15 dias;
  7. Reforce os procedimentos de higienização e limpeza da clínica junto aos funcionários; maçanetas, mesas, cadeiras e superfícies devem ser limpas frequentemente em horários fixos ou conforme a necessidade;
  8. Ofereça a opção de transporte da clínica para banhos e consultas, sempre que possível e de acordo com a legislação de seu estado/cidade; a anamnese, neste caso, poderia ser por telefone;
  9. Caso haja estacionamento adequado e seguro na clínica, para evitar aglomerações, os donos dos animais podem ser chamados somente no momento da consulta, permanecendo no carro até a chamada;
  10. Procedimentos eletivos devem ser adiados até um melhor entendimento da evolução da Covid-19 em nosso País.

Todos juntos contra o novo coronavírus. Inclusive os animais!

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