cachorro no pet shop

Os pet shops estão revendo os produtos a serem vendidos – Bennilover/Creative Commons

Quando vou atender, vejo ainda muitos clientes adquirindo produtos que não ajudam em nada o bem-estar dos seus animais. Muito pelo contrário, alguns podem piorar e colocar em risco a saúde.

O grande questionário dos tutores é: “mas como pode ser tão ruim se vende no pet shop que eu confio?”. Infelizmente meus argumentos serão todos fracos perante o fato de manterem as vendas.

Todavia, o mercado vem mudando (ainda bem!). Alguns e-commerces foram criados já focados em produtos que promovem o bem-estar dos animais. Todos com uma visão dentro do adestramento positivo, evitando a venda de dispositivos que pudesse causar qualquer tipo de desconforto aos animais.

Esses pequenos e-commerces ainda existem, apesar de remarem contra a maré. Ricardo Gualco, desenvolvedor da Bnt.pet, conheceu em 2013 as ferramentas de enriquecimento ambiental e os conceitos do adestramento positivo. Sua ideia foi desenvolver um site para venda desses produtos, mas também um canal para divulgar informações. “Na descrição dos produtos, não há apenas sobre a importância da utilização daquele dispositivo, mas também como usar e para qual perfil de cão ele se destina” explica.

Segundo Ricardo, as pessoas que procuram esse tipo de site já sabem o tipo de produto vendido, o que facilita as vendas. “Há um crescimento muito grande de procura por esse tipo de produto, mas só com essas ferramentas realmente ficaria mais difícil manter o negócio. Também vendemos tapetes higiênicos, guia, alimentação natural e outros produtos de necessidade básica do cão” aponta.

Outro exemplo é a Zen Animal. Para Lorena Tassara, a importância é estimular os tutores a proporcionarem mais saúde aos pets com um estilo de vida com foco no bem-estar, na qualidade e na longevidade dos animais de estimação ao evitarem o consumo de produtos que possam ser nocivos à saúde dos pets, que provocam problemas gastrointestinais, alergias, problemas de pele, intoxicações, doenças no fígado, insuficiência renal, gastrites e obesidade. “Por isso o site é focado na venda de produtos naturais e enriquecimento ambiental. As nossas vendas são consequência dos resultados que entregamos aos tutores e seus pets” relata Lorena.

Pensando no bem-estar e segurança dos animais, a Petlove, maior plataforma online de produtos e serviços para pets do Brasil, decidiu tirar dois tipos de produtos de seu catálogo: o supressor de cio e a coleira antilatido.

Para Jade Petronilho, Coordenadora de Conteúdo e médica veterinária da Petlove, o uso do supressor pode acarretar uma série de problema para a saúde tanto de cadelas, como de gatas e, por isso, o recomendado é a castração, que ajuda na prevenção de gestações indesejadas e cessa por completo a ocorrência do cio. “Isso se deve especialmente à carga hormonal. Fêmeas que utilizam este tipo de produto tendem a desenvolver tumores de mama e infecções uterinas com mais facilidade”, explica

Cães que latem durante a noite: o que fazer?

O outro produto descontinuado foi a coleira antilatido. Esta pode resultar em estresse e problemas de comportamento muito piores do que o latido quando utilizada de forma indiscriminada. “O ideal, para pets que apresentam quadros de latido excessivo, é consultar um profissional de comportamento, identificar a causa e trabalhar o problema mudando o foco e oferecendo atividades diárias ao pet”, afirma Jade.

Jade conta que a entrada da CEO Talita Lacerda facilitou a comunicação entre a área técnica e a comercial, focando ainda mais no bem-estar dos pets. “A Petlove é contra métodos punitivos e aversivos justamente por entender que existem outras maneiras, não traumáticas e mais adequadas, para orientar o pet e direcioná-lo melhor”, afirma Petronilho.

Outro produto que não poderia deixar de questionar é a coleira enforcadora com pinos. Jade explicou que é um processo. “Não estão pedindo mais esse tipo de produto, mas ainda temos em estoque”. Para mostrar aos sócios o quanto pode ser maléfico ao animal um dado produto, Jade se baseia em artigos científicos e leis de outros países, como a Suécia, que proíbe o uso de enforcador em cães.

Jade ainda acredita que iniciativas como essa poderão causar impacto e influenciar outros e-commerces e pet shops a seguirem a mesma linha: aumento do bem-estar e qualidade de vida dos pets.

Aguardarei ansiosamente os próximos passos do mercado pet em busca de uma vida cada vez melhor para os nossos peludos.