Lírica Aragão/Creative Commons

Lírica Aragão/Creative Commons

Lançada pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), a campanha “Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida” tem como tema principal a guarda responsável de animais. Também alerta sobre os riscos do abandono de cães e gatos para a saúde pública e dos bichinhos.

No Brasil, estima-se que existam mais de 30 milhões de cães e gatos em situação de abandono, segundo números da Organização Mundial da Saúde (OMS). Esta estimativa é formada principalmente por animais perdidos ou intencionalmente deixados na rua por seus donos.

O tema dos animais de rua é relevante principalmente nas grandes cidades. Em São Paulo, por exemplo, apesar de não haver dados oficiais sobre o número de cães e gatos abandonados, são recolhidos mais de 500 animais por mês por abrigos ou instituições de acolhimento de pets. Estatísticas que atestam a dimensão do problema.

Joe deSousa/Creative Commons

Joe deSousa/Creative Commons

Enquanto muitos pets são tratados como bebês peludos, outros são abandonados por suas famílias, como seres descartáveis. “O abandono aumenta muito nesta época do ano. No verão, férias e carnaval é muito comum encontrar animais errantes nas estradas, avenidas e amarrados em postes ou árvores. Sem saber o que fazer com o animal, muitas famílias abandonam” lamenta Mário Eduardo Pulga, médico veterinário, presidente do CRMV-SP.

Se engana quem pensa que o abandono só ocorre nas classes sociais menos favorecidas e com animais sem raça definida. A falta de consciência e empatia com os animais pode ocorrer em qualquer credo, raça ou poder aquisitivo.

Para a médica-veterinária Vânia de Fátima Plaza Nunes, presidente da Comissão de Médicos-veterinários de ONGs do CRMV-SP, a campanha contra o abandono deve iniciar com a avaliação na hora de adotar ou adquirir um animal doméstico. “Um ‘check list’ ajuda a minimizar possíveis abandonos” sugere a Dra. Vânia.

Randy von Liski/Creative Commons

Randy von Liski/Creative Commons

“Check list”

Antes de adquirir ou adotar um animal de estimação, responda às seguintes perguntas:

  • Todos da família estão de acordo em ter um pet?
  • Qual o perfil mais indicado para o meu estilo de vida?
  • O tamanho e energia deste animal estão de acordo com o espaço que ele terá?
  • Quando eu viajar, terei com quem deixar ou condições de arcar com hotel ou petsitter para cuidar dele?
  • Os gastos com vacina, veterinário, alimentação e brinquedos estão dentro do orçamento familiar?
  • Tenho tempo para cuidar, passear e dar a atenção necessária ao animal?
  • Houve uma pesquisa sobre a raça desejada? Tanto da parte boa, quanto das não tão boas?
  • Se eu precisar me mudar, levarei o peludo com certeza?
  • Aconteça o que acontecer, serei responsável por ele?
  • Tenho disponibilidade de ficar com ele o tempo que ele durar, podendo ser até 20 anos?

Assim que o animal for adquirido, é extremamente importante levar ao médico veterinário para orientações. Este profissional não deve ser somente para curar doenças, mas também para que não haja surpresas futuras. Ele irá verificar a saúde do animal e informar sobre o possível comportamento e necessidades diárias.

“Os cães têm necessidade de conviver com as pessoas. E quando há um rompimento, um abandono, o sofrimento psicológico acaba sendo o principal problema para eles. Por isso, é essencial avaliar a compra ou adoção de um animal doméstico com muita calma”, avalia a Dra. Vânia.

John Twohig/Creative Commons

John Twohig/Creative Commons

Consequências do abandono

Quando pensamos em animais abandonados, já imaginamos que alguma ONG irá se responsabilizar por este animal. Porém, os abrigos estão lotados, sem espaço para receber novos animais. Em muitos casos, há uma superpopulação em espaços reduzidos, facilitando brigas e problemas de comportamento.

Mesmo que uma ONG recolha o animal abandonado, até isto acontecer, o animal passará um tempo errante. Neste ínterim, de acordo com o presidente do CRMV-SP, os animais estão sem cuidados e existe uma ameaça à saúde humana e ambiental. “Os animais abandonados estão mais suscetíveis a maus-tratos, a acidentes e, principalmente, a doenças, que podem ser, inclusive, uma ameaça para outras espécies, como animais silvestres, e para a saúde humana. Segundo a OMS, mais de 70% das doenças emergentes e reemergentes são provenientes de animais, como a raiva” afirma.

Dr. Mário ainda alerta que o abandono de animais é um problema global que merece atenção de toda a sociedade. Ainda ressalta que é preciso um maior comprometimento de todos com relação a saúde e o bem-estar dos animais, assim como com a saúde humana e ambiental.

Compartilhe!

Diante deste cenário, a campanha tem como meta conscientizar milhões de pessoas e foi planejada para impactar diversos segmentos. O título ‘Quando a gente gosta é claro que a gente cuida’, trecho da música “Sozinho”, do compositor Peninha, é o motor conceitual das atividades e representa a ideia presente em todas as ações de orientação.

Peninha e a Editora Peermusic do Brasil autorizaram o uso da canção para a campanha gratuitamente, por serem solidários à causa de abandono de animais. A música é a trilha sonora do filme principal da campanha.

Apaixonado por seus cinco cães, Peninha conta que, por coincidência, a cachorrinha utilizada na gravação do filme é muito semelhante à sua vira-latinha. “Quem me ensinou a gostar de cães foi a minha esposa. Hoje, eles são minhas paixões. É uma honra poder colaborar com uma campanha como esta” conta Peninha.

Dr. Mário ressalta que a intenção com esta campanha é, de uma maneira lúdica, conseguir a conscientização e a educação da população sobre a importância da guarda responsável de animais.

Para ajudar, basta compartilhar. Divulgue o vídeo, converse com seus filhos, amigos, sobrinhos e primos sobre o tema. Quanto mais as pessoas entenderem que os animais não são descartáveis, menor será o abandono.