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Todo início de ano fazemos aquelas boas e velhas metas para cumprir. Não importa se elas são faladas em voz alta ou apenas ficam na sua mente. Todo mundo reflete sobre o que poderia ser melhor no ano que se inicia. Iniciar academia e dieta estão no top da lista das metas da maioria. Mas e os animais? Você tem alguma meta que contemple seus peludos?

Começo falando por mim mesma. Assim que passou na meia noite, comecei a fazer a lista de metas para 2020. Das dez ou doze coisas listadas, apenas uma contemplava meus animais. Eu, que tanto ano e trabalho com animais, só tinha dedicado 10% da minha lista aos meus peludos, que consomem mais de 30% do meu orçamento e mais de 40% do meu tempo.

Muito curiosa, saí perguntando as metas das pessoas que conheço, que também têm animais de estimação. Quase nenhuma colocava seus animais na meta. Tinha espaço para filho(s), marido/namorado, trabalho, satisfação pessoal, viagem… Mas e os bichos?! O que desejamos para esses seres que estão sob nossa responsabilidade e que dependem de nós?! O que podemos fazer em 2020, que não fizemos, ou fizemos pouco, em 2019?

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Um erro muito comum é colocarmos metas utópicas. Ainda mais quando falamos de animais. Já pensamos em apoiar ONGs, cuidar de animais de rua, lutar pelo direito dos animais, adotar um velhinho, ser voluntário ou mesmo doar dinheiro para uma instituição da causa animal. No final, colocamos outras prioridades e o máximo que fazemos é repostar cães e gatos para adoção (que já é bem legal). Mas será que só isso preenche nosso desejo de cuidar dos animais?!

Recebo diversas mensagens diariamente nas minhas redes sociais com diversos pedidos de ajuda. Não falo daqueles: “vou me mudar e preciso de ajuda para doar meu cachorro”. Mas dos “meu cachorro está com tal problema comportamental, já fiz de tudo. Me ajuda, por favor!”. Quando eu pergunto o que está sendo feito (brinquedos, passeios, estímulos, etc), normalmente a resposta é “faço de tudo, passeio, dou diversos brinquedos, e mesmo assim ele é assim. Não tem jeito!”.

Essa ideia de que um animal “não tem jeito” é extremamente comum. Mas são poucos os que realmente se empenham em buscar informações e profissionais para modular esse comportamento. Não para satisfazer os desejos humanos de animal perfeito, mas para melhorar a qualidade de vida e aumentar o bem-estar.

Perguntei a uma dessas pessoas que me buscou para pedir ajuda se ela conseguia dizer se o cão dela era feliz. Ela respondeu imediatamente que sim. E perguntei o que fazia ela ter essa certeza. A resposta me assustou! “Ele pula em mim abanando o rabo o tempo todo. Se isso não é ser feliz, então não sei o que é”. A melhor resposta para esse comentário é aquele emoji de carinha com a mão na testa, incrédula, sabe?! Respirei fundo e perguntei sobre brinquedos. Aquela boa e velha resposta: “ele tem vários, mas não brinca com nenhum. Prefere o meu chinelo ou roubar comida da mesa”. Mesmo emoji novamente. Passeios? “Ah, eu passeio quase todos os dias, uns 5 minutos. Abro o portão, ele faz xixi e volta”. Uns três emojis seguidos.

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A grande questão é que essa situação não é exceção. Quantos são os animais e humanos que passam por essa mesma rotina cansativa de tentar oferecer para o seu peludo o que acredita como o melhor, mas sem real êxito?! Então, por que nos conformarmos com isso e não buscarmos uma maior qualidade de vida?!

Animais não demonstram alegria através de agitação, mas através do relaxamento. Brinquedos devem ser trocados todos os dias, como um rodízio, para que haja novidade e interesse do animal de interagir com ele. E o brinquedo deve ser o que o peludo gosta, não o que achamos fofinho e compramos no pet. Passeios devem ser diários e não apenas para fazer xixi, mas para estimular o olfato, audição, visão e socialização dos cães. No caso de gatos, tudo isso deve ser estimulado dentro de casa.

Que tal colocarmos nas nossas metas uma rotina que envolva nossos animais?! Cinco ou dez minutos diários podem fazer uma grande diferença! Uma dica de meta: fazer uma planilha semanal de atividades a fazer/oferecer diariamente ao peludo e cumpri-la!

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Se você não tem ideia do que possa ser feito, busque profissionais do comportamento e perfis nas redes sociais com dicas de enriquecimento ambiental e bem-estar animal. Há também cursos online e presenciais para tutores. Desejo que em 2020 você tenha mais tempo e vontade para se dedicar não apenas aos animais abandonados, mas os que você escolheu ter em casa! Desejo que todos passem menos tempo no celular, compartilhando discursos de ódio, e mais tempo brincando com seus animais!

Feliz ano novo! Feliz vida com bem-estar!