Segundo estimativas mundiais, um em cada três gatos e um em cada oito cães apresentarão Doença Renal Crônica

Ducatirider -Creative Commons

Uma doença silenciosa e incurável, que já afeta metade dos gatos idosos no Brasil. A doença renal crônica (DRC) é atualmente o mal mais comum em felinos acima dos 12 anos de idade e a causa de morte de milhares de animais de estimação todos os anos. A boa notícia é que, embora ainda não exista uma cura para a doença, a DRC pode ser controlada quando diagnosticada em seu estágio inicial, garantindo uma sobrevida de até cinco anos aos animais.

Buscando informar os tutores sobre a doença e conscientizá-los sobre a importância de se fazer exames regulares em seus gatos e manter um acompanhamento veterinário especializado, a campanha Março Amarelo chega a quarta edição.

“O diagnóstico precoce aumenta a expectativa de vida dos animais. Quanto antes for diagnosticado o problema, maior é a possibilidade de prolongar a vida do paciente”, diz o médico veterinário Alexandre Daniel, uma das maiores autoridades brasileiras no assunto e consultor do Março Amarelo, lembrando que cerca de 50% dos gatos idosos no Brasil já apresentam algum grau de disfunção renal.

John/Creative Commons

É preciso atenção redobrada por parte dos tutores, já que a DRC apresenta sintomas apenas em estágio avançado, quando os rins já estão com 75% de suas funções comprometidas — o que torna os check-ups periódicos fundamentais para a identificação da doença em fase precoce e o tratamento adequado, evitando assim o sofrimento do animal.

De acordo com Alexandre Daniel, a DRC é tradada por estágios, que variam de 1 a 4. “O paciente que é diagnosticado no estágio 2 tem uma sobrevida média de cinco anos. Já no caso do paciente que é diagnosticado no estágio 3, a sobrevida cai para dois anos. Quanto mais precoce o diagnóstico, mais prolonga a vida do animal”, afirma o especialista.

A recomendação dos veterinários é para que os gatos de meia idade, a partir dos 10 anos, façam os exames uma vez ao ano. A partir dos 14 anos, a cada seis meses. Caso haja alterações nos resultados ou o animal apresente algum tipo de sintoma, como perda de peso, ingestão excessiva de água ou aumento do volume de urina, é necessário procurar um profissional especializado para entender o melhor tratamento, que é feito caso a caso.

“Existem vários fatores que precisam ser levados em consideração. Pacientes que têm pressão alta podem viver menos, pacientes com variação na concentração de fósforo também podem viver menos, gatos com proteína na urina também”, explica o veterinário.

Março Amarelo

Aproveitando o Dia Mundial do Rim, comemorado em 12 de março, a ação Março Amarelo promove a conscientização para o diagnóstico precoce e o tratamento da doença renal crônica em gatos. A campanha chega à sua quarta edição em 2019 com o objetivo de engajar tutores e médicos veterinários em prol da saúde dos animais.

“O Março Amarelo é hoje mais do que uma campanha, já é uma causa”, afirma Eliane Estephan, gerente de Marketing e Serviços Técnicos para Animais de Companhia da Elanco. De acordo com a executiva, a campanha é nacional e está focada em dois pilares de atuação: atualização técnica dos veterinários e conscientização dos tutores para os perigos da DRC.

“Em três anos de campanha,  já alcançamos mais de 10 mil clínicas veterinárias em todo o Brasil e impactamos cerca de 5 milhões de pessoas através das mídias sociais.” explica Eliane.

Xixi fora do lugar pode ser um dos sintomas de DRC

Sabe aquele xixi na sua cama ? Ou aquele fora da caixa do seu gato? Essas pequenas alterações comportamentais podem ser o primeiro alerta de que algo não está bem com o rim do seu peludo. Nossa primeira reação é sempre ficar bravo com o pequeno. Mas pode haver algo muito mais sério por trás. Não menospreze! Leve seu pet imediatamente ao médico veterinário

A triste realidade

Com frequência cães e gatos chegam aos consultórios e clínicas médico-veterinárias apresentando estágio avançado de Doença Renal Crônica (DRC) e todas as complicações comuns a essa grave patologia, incluindo índices extremamente elevados de creatinina no sangue. Por isso, é primordial que os tutores levem seus animais para exames de rotina com foco na prevenção e diagnóstico precoce.

“Posso afirmar que, dentre os pacientes crônicos, as patologias renais são a segunda mais incidente, perdendo apenas para as dermatológicas”, enfatiza Cristina Timponi, que atua como veterinária de clínica de pequenos animais há 30 anos.

Segundo ela, muitos chegam com sintomas – em decorrência da alta taxa de creatinina no sangue – que debilitam ainda mais o estado geral do paciente, como vômito, diarreia com sangue, ulcerações bucais que o impedem de se alimentar e até convulsões.

Prevalência

O médico-veterinário presidente do Colégio Brasileiro de Nefrologia Veterinária, Luciano Henrique Giovanini, comenta que a prevalência mundial de doença renalcrônica (DRC) é maior em gato.

“Há estudos que demonstram que um em cada três gatos, e um em cada oito cães, apresentarão DRC”, diz Giovanini, que ressalta que essa prevalência aumenta com a idade.

Prevenção

“Por isso é primordial desenvolver hábito de realizar exames preventivos, desde os animais filhotes até os mais velhos, especialmente os felinos”, orienta Cristina Timponi. Segundo a veterinária, o baixo de exames simples, como de urina, é baixo, mas de grande importância. “Além de evitar que o pet sofra, é infinitamente mais barato do que o valor de tratamentos para um doente renal crônico.”

Todos juntos contra essa doença tão séria e pouco notada por nós, tutores! Faça o check-up anual no seu peludo. A qualquer alteração de comportamento, vômito ou diarreia, leve ao médico veterinário. Quanto mais cedo tiver o diagnóstico, mais tempo ele permanecerá nas nossas vidas!

Me siga por aí:

Instagram: @luizacervenka

YouTube: Luiza Cervenka

Site: www.luizacervenka.com.br

Facebook: @bichoterapeuta