dorinser/Creative Commons

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A leucemia felina é mais conhecida pela sigla FELV (Vírus da leucemia felina). Muitos já ouviram falar, mas quase ninguém protege seu gato contra essa doença.

Há muito o que se saber sobre a FELV, mesmo que você não tenha gato. Informação nunca é demais, principalmente quando se trata da saúde dos nossos peludos.

Mesmo sendo super gateira, muitas dos cuidados e prevenção da doença são novidade para mim. Mas vamos começar aos poucos.

Busquei a Dra. Vanessa Zimbres, médica veterinária especialista em felinos. Ela me explicou que a FELV é uma doença infecciosa causada por um vírus, com capacidade de desenvolver tumor (leucemia ou linfomas) ou doenças degenerativas em gatos infectados.

Existem dois detalhes que tornam essa doença extremamente preocupante.

1) não tem cura, somente tratamento dos sintomas e de suporte. 85% dos gatos, em infecção progressiva, morrem em até 3 anos e meio após o diagnóstico da FELV.

2) mesmo infectados, alguns gatos não apresentam sintomas da doença. “Essa seria a forma latente da doença, onde o sistema imune foi eficaz em controlar a replicação viral e impedir a infecção de novas células. No entanto em casos de falha dessa resposta imune, o animal pode vir a apresentar os sintomas clínicos da doença” explica Dra. Vanessa.

Sintomas

Os sintomas podem variar bastante dependendo do tipo de células infectadas. Alguns gatos com uma boa resposta imune podem permanecer assintomáticos durante anos.

Os gatos que apresentarem a doença associada ao vírus podem desenvolver doenças degenerativas, como anemia, imunossupressão e quadros crônicos de inflamação. Além disso o vírus é capaz de fazer com que se desenvolvam tumores como, por exemplo, o linfoma.

Diagnóstico

É essencial que todos os gatos façam o teste de triagem chamado ELISA. Este exame irá detectar a presença do vírus no gato. “Em caso positivo, o teste Elisa deve ser repetido após 30 dias” afirma Dra. Vanessa.

Em alguns casos específicos, também pode ser realizado o exame de PCR. Este é mais específico e detecta, inclusive, o próvirus em animais com infecção latente.

PROEmily/Creative Commons

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Prevenção

A melhor forma de prevenção é fazer aquele teste, chamado Elisa, em todos os gatos. Caso algum apresente resultado positivo, deve ser separado dos gatos saudáveis.

Para gatos de vida livre, com acesso à rua, que recebem visitas de outros gatos, ou aqueles que frequentam hotelzinho, a sugestão é vaciná-los. “Antes de receber a vacinação, é aconselhável que o gato já tenha sido testado, pois de nada adianta vacinar um gato que já seja portador do vírus” alerta Dra. Vanessa.

A vacinação não é 100% eficiente. Tudo irá depender da imunidade, estilo e vida e nutrição do animal. “Mesmo um animal vacinado, pode vir a apresentar a leucemia felina. Isso acontece quando há contato contínuo do animal saudável e vacinado, com gatos infectados. Basta um período que o gato vacinado esteja com o sistema imunológico mais enfraquecido, para contrair o vírus” ressalta Dr. Andrei Nascimento, médico veterinário e Gerente Técnico da MSD Saúde Animal

Vacinação

Há quase dez anos no mercado, a vacina quíntupla da Zoetis previne contra FELV e outras quatro doenças. “A vacina quíntupla deve ser dada principalmente quando a gato é filhote. Este é o momento de maior suscetibilidade. Após essa fase, a vacina deve ser dada anualmente, a depender do estilo de vida do animal” informa Alexandre Merlo, médico veterinário e Gerente Técnico de Animais de Companhia da Zoetis.

Em setembro deste ano, houve o Simpósio de Leucemia Felina, no qual a MSD Saúde Animal lançou a sua vacina quíntupla. Feita com o vírus inteiro e inativo (morto), não corre o risco de dar falso positivo daquele exame ELISA. Sei grande diferencial é a duração de dois anos. Mas Dr. Andrei é enfático ao dizer: “não adianta vacinar um gato que já esteja contaminado. Por isso é muito importante fazer o teste antes da vacinação”. E continua: “Animais que vivem em apartamento, sem contato com outros gatos, não precisam dessa vacina na fase adulta, apenas quando filhote”.

Um dado alarmante, apontado por Andrei, é que em alguns estudos feitos no Brasil, o número de casos de gatos contaminados é muito alto, chegando a 50% da população infectada na cidade de Belo Horizonte.

Deu positivo, e agora?

Mohamed Aymen Bettaieb/Creative Commons

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Se você fez o exame ELISA e o resultado foi positivo, a primeira coisa é lembrar que essa doença não passa para cães, outros animais e nem para humanos. É uma doença específica dos gatos. Porém, entre eles, é altamente contagiosa.

Para um gato passar a FELV para outro gato é necessário haver contato com a saliva, fezes ou urina do animal contaminado. Arranhões, brigas e respirar o mesmo ar não trazem perigo algum.

A Dra. Vanessa ensina: “a saliva do gato é onde está a maior carga viral. A porta de entrada do vírus no organismo é através da cavidade oral/nasal e o contato com essas secreções contaminadas deve ser continuo. Portanto chamamos a FELV de doença dos gatos “amigos”, que se higienizam entre si”.

Por isso, mais importante do que a vacinação dos gatos saudáveis, é separar os gatos infectados, dos sadios.

Para o gato infectado, é de extrema importância dar maior atenção a sua nutrição, evitar fatores de estresse e doenças concomitantes. Felinos infectados adoecem com maior facilidade, por isso precisam manter o sistema imunológico forte, para conseguir lidar com qualquer outro agente infeccioso que possa acometer seu organismo.

Não precisa se desesperar. É possível cuidar de um animal positivo para a FELV. “Não devemos condenar à morte os gatos que sabidamente sejam positivos para a doença. Lembre-se que eles podem, em raros casos, eliminar o vírus do organismo ou mesmo controlar o vírus de forma latente e nunca vir a adoecer” reforça Dra. Vanessa.

Alerta aos gateiros!

Laurinha Lii/Creative Commons

Laurinha Lii/Creative Commons

Gateiros e catlovers, ver um peludo na rua sempre destrói nosso coração. Porém, leva-lo para casa sem testá-lo, pode colocar em risco a saúde dos gatos já existentes na sua casa.

Comecei a ser gateira de carteirinha em 2006, quando adotei a Mel. Apesar de todo cuidado com vacinas, nunca tinha sido alertada sobre os perigos de levar outros gatos para casa. Assim, alimentava gatos da vizinhança e levava os que eram mais mansos para dentro de casa. Até hoje, já chamei de meu uns doze gatos. Isso sem contar aqueles moradores esporádicos.

Se eu soubesse que, ao fazer isso, estava colocando a vida da Mel e tantos outros gatos em risco, teria testados todos. “Infelizmente muitos veterinários clínicos gerais não explicam para seus clientes a gravidade de certas doenças, como a FELV. Sem informação, muitos proprietários decidem por não fazer o teste. Neste momento, colocam seu gato em risco” enfatiza Dr. Andrei.

Por isso, antes de levar qualquer gatinho para casa, passe o veterinário e faça o teste para FELV. Se der positivo, isole este peludo do(s) outro(s) gato(s). Sempre devemos pensar no bem-estar dos pequenos.