cachorro e mulher passeando

O tamanho da guia pode facilitar latidos – bluesbby/Creative Commons

Muitas pessoas acreditam que o latido do cachorro se assemelha à fala do ser humano, como uma forma de comunicação. Os humanos têm a comunicação prioritária verbal. Apesar de usarmos a comunicação não-verbal, acaba não sendo aquela que mais prestamos atenção.

Como os cães se comunicam com humanos

No caso dos cães, a comunicação é feita prioritariamente não-verbal. A comunicação física e química são as mais utilizadas. A prova disso é a aproximação de dois cães. Dificilmente, para fazer amizade, um chega latindo para o outro. Eles se aproximam lentamente, cheiram a região do traseiro ou mesmo do focinho e seguem para uma brincadeira ou não.

Quando um cachorro chega próximo ao outro já latindo, dificilmente haverá uma abertura pela parte do outro cão para uma interação saudável ou mesmo uma brincadeira. Isso porque o latido é a última alternativa de comunicação, quando todas as outras opções não deram certo ou foram esgotadas.

Se observarmos as orelhas, o corpo, as patas, o rabo e o focinho do cachorro, poderemos começar a compreender o que cada uma dessas partes estão comunicando. Inclusive, se prestássemos atenção às comunicações físicas dos animais, muitos problemas de comportamento até ataques poderiam ser evitados.

Apesar de sermos muito visuais, ainda temos dificuldade de relacionar as posições corpóreas sutis dos cães a uma mensagem. Muitas vezes, só prestamos atenção quando é uma comunicação intensa, quase um neon piscante. Assim são os latidos, rosnados e ataques. São o último recurso para comunicar uma situação de desconforto. Seja por desejar algo ou por querer se afastar de algo.

A partir do momento que ignoramos todas as outras tentativas brandas de comunicação do cão e atendemos aos latidos, reforçamos o comportamento, fazendo com que o cão pare de tentar os sinais sutis para já partir para a parte efetiva.

Por que os cães latem no passeio?

O latido no passeio pode ter alguns motivos. Os principais são euforia e desconforto.

Quando o cão está eufórico para passear, pode acontecer dessa agitação ser demonstrada através de latidos. Não há um foco específico. Apenas o cão puxa a guia e late para tudo e todos que passam a sua frente.

Já no caso de desconforto, o cão foca seu latido para coisas ou seres específicos. Isso acontece quando há uma aproximação abrupta ou além do tolerado pelo cão.

Casal passeando com cachorro

Latir no passeio pode acontecer por euforia – Steve Crane/Creative Commons

Alguns cães, só de avistar outro animal durante o passeio, já começam a latir. Todavia, esse mesmo animal, sem a guia, tem uma outra reação. Podendo, inclusive não latir e brincar com o outro cão. Pode parecer algo estranho e até curioso. Mas há uma explicação muito simples para isso. Quando preso a uma corda (a guia) o cão tem menos possibilidades de resposta a aproximação daquele estímulo. Pode ser um outro cachorro, uma moto, uma pessoa ou até mesmo um objeto parado.

Sem ter muito espaço para fugir ou se esconder, a melhor defesa se torna o ataque. Assim, o cão late como uma forma de afugentar a possível ameaça que se aproxima.

Nesse caso, a melhor solução é a guia longa, de no mínimo três metros. Dessa forma é possível dar mais liberdade e espaço para que o cão possa reagir sem a necessidade do ataque.

No vídeo abaixo eu explico a importância da guia longa e porque não andar com a guia curta.

Como resolver latidos no passeio?

Se o seu cachorro late por euforia, o ideal é treiná-lo a só sair de casa quando calmo. Durante o passeio, quando ele puxar, parar. Só voltar a andar com ele tranquilo. Veja alguma dicas nesse vídeo.

Já o cachorro incomodado, o ideal é evitar que ele encontre os estímulos que causam desconforto. Por isso, passeios em horários de menor movimento e ruas mais calmas auxiliam ao cão entender que nem sempre que sai de casa enfrenta situações desagradáveis.

Respeitar o limite do cão e se desvencilhar do estímulo que causa desconforto é outra importante solução. Se você vê que está vindo um outro cão no sentido oposto ao seu, mude de calçada, dê meia volta ou vá para o meio fio. Mas evite fazer com que seu cachorro ultrapasse o limite de tolerância dele em relação ao outro animal. Se esse limite for ultrapassado, haverá latidos e possíveis ataques.

Nada de bronca no momento do latido! Eu sei que é difícil nos contermos quando o cão late. Logo já pedimos para ele se calar. Mas imagine que ele está gritando, dizendo para aquele estímulo sair dali. É quase que como um grito de socorro. Quando não há compreensão e acolhimento do cão, por parte do tutor, nesse momento, o cão pode se sentir ainda mais inseguro e aumentar o seu sinal, latindo mais forte e partindo para o ataque.

Por isso, a melhor solução é a compreensão da motivação dos latidos, acolhimento do cão e associação a algo positivo, como um petisco, carinho ou mesmo brinquedo ao chegar em casa, após o passeio.

O cachorro não late porque ele é mau, mas por estar em desconforto. Ler o cachorro e compreender seus sinais, mesmo que não verbais, faz parte de uma preocupação do tutor com o bem-estar do animal. Assim, podemos antever os acontecimentos, sem a necessidade de puni-los.