Foto: Luiza Cervenka

Foto: Luiza Cervenka

De 20 a 23 de outubro, acontece em São Paulo a sétima edição do Congresso Brasileiro de Homeopatia Veterinária. Uma ciência que nos intriga há 200 anos foi desmitificada por profissionais renomados da área. Aproveitei para descobrir os mitos e verdades sobre a homeopatia em cães e gatos.

Para poder escrever com fundamento sobre a homeopatia para os animais, fui até o 7º Congresso Brasileiro de Homeopatia Veterinária. Assisti a primeira parte do curso introdutório sobre homeopatia para estudantes e médicos veterinários. Ouvi sobre a história e os fundamentos desta ciência.

O que difere a homeopatia dos outros tipos de medicina é o conceito “semelhante trata semelhante”. Se o animal está com dor de cabeça, o veterinário prescreverá um remédio, que em animais sãos causaria dor de cabeça. Pode parecer estranho, mas depois de apenas duas horas de aula, fez todo sentido.

Sage Ross/Creative Commons

Sage Ross/Creative Commons

“As pessoas tem que conhecer a homeopatia para entender seu real funcionamento. Não é receita de bolo. Precisa de muito estudo, pois nenhum caso é igual ao outro. O sintoma pode ser o mesmo, mas o que levou o animal a apresentar tal problema pode ser diferente. O remédio também não pode ser o mesmo” ensina Dra Cidéli Coelho, médica veterinária homeopata, professora da Universidade Paulista (UNIP) e Unisa, e presidente do congresso.

Mitos

Philippa Willitts/Creative Commons

Philippa Willitts/Creative Commons

Demora para fazer efeito. “Quando o proprietário consegue dar todas as informações necessárias e o homeopata observa todos os detalhes, o remédio certo já é escolhido e o tratamento tem resposta rápida. Porém, quando o proprietário não fornece muitas informações sobre o animal ou o médico não consegue escolher o remédio adequado, o tratamento é lento” responde Dra Cidéli.

É placebo. Há medicamento dentro das “bolinhas de açúcar” e diversas pesquisas tem mostrado que surtem efeito. São inúmeros os exemplos de sucesso que eu soube durante o congresso, vindo de diferentes profissionais.

Só funciona com fé. “O animal não sabe o que é fé, e mesmo assim a homeopatia funciona com eles. Homeopatia não é religião, é ciência” explica Dra Cidéli.

É bruxaria. É comum confundir a homeopatia com espiritismo ou bruxaria. Afinal, eles falam sobre energia vital. Você se lembra das aulas de física, na qual aprendemos sobre calorimetria e energias? Não é coisa espiritual, é ciência. Tudo pode ser explicado através da física, mais especificamente pela física quântica.

Não tem explicação científica. O Brasil, nos últimos seis anos, foi o país que mais se destacou em pesquisas com homeopatia. Enquanto outros países se dedicam a pesquisar novos fármacos, o Brasil continua apostando nas milagrosas “bolinhas de açúcar”. Só no congresso, foram 50 trabalhos científicos sobre a eficácia desse tipo de medicamento.

Benefícios da homeopatia para os animais

Jean-Pierre Declemy/Creative Commons

Jean-Pierre Declemy/Creative Commons

Fácil de dar. Todos os animais gostam das “bolinhas de açúcar”. Mas se não gostar, a medicação pode ser aspergida no focinho.

Diminui o estresse. Nada de correr atrás do bicho para enfiar comprimido goela abaixo. Esqueça as agulhas e injeções. A medicação pode ser utilizada sem causar nenhum tipo de estresse ao animal.

Não tem efeito colateral. A homeopatia não danifica outros órgãos, pois trata o paciente como um todo, não apenas o órgão doente.

Pode ser administrado em qualquer tipo de animal, de qualquer porte ou idade. Mesmo em animais mais sensíveis, como os silvestres, a homeopatia pode ser utilizada sem medo.

É mais barato. A indústria farmacêutica é a segunda maior indústria do mundo. Só perde para a bélica. Como os medicamentos homeopáticos são manipulados em farmácias menores, conseguem ser vendidos a preços mais acessíveis.

O cético que virou homeopata

Foto: Luiza Cervenka

Foto: Luiza Cervenka

Dr Paulo Casa Nova é médico veterinário. Por anos levantou a bandeira contra a homeopatia. Tudo começou quando, ainda na faculdade, assistiu a uma palestra muito inflamada sobre homeopatia. A palestrante dizia que a alopatia matava e que todos deveriam utilizar apenas a homeopatia.

Indignado com a postura da palestrante, Dr Paulo falava para quem quisesse ouvir sobre a não eficácia da homeopatia. Seus argumentos foram acabando. Para ter mais fundamentos na sua aversão à homeopatia, resolveu fazer um curso. O tiro saiu pela culatra. “Busquei o curso para poder falar mal da homeopatia com fundamentos, mas me apaixonei perdidamente. Hoje sou veterinário homeopata” confessa Dr Paulo.

Apesar de especialista em homeopatia, Dr Paulo defende que o médico veterinário deve saber exatamente o que prescrever ao paciente. Em casos extremos, não deve hesitar em usar a alopatia. “O mais importante é saber exatamente a ação, metabolismo e via de excreção de cada medicamento” alerta o veterinário homeopata.

Opinião de quem já usou

Foto: Roberta Pontes

Foto: Roberta Pontes

Roberta Kuhn de Lima Pontes é farmacêutica e arquiteta. Ela tem um sharpei chamado Hiro Ito e sua mãe tem a golden retriever Isis Puli de 13 anos.

Como todo sharpei, Hiro tem muitas dobrinhas, que devem ser cuidadas de perto. Mas mesmo com todo zelo, ele ainda tinha problemas de pele e alergia alimentar. Hiro passava em um veterinário dermatologista que prescrevia anti-inflamatório e antibiótico a cada crise de pele.

Foto: Roberta Pontes

Foto: Roberta Pontes

Já cansada de tanta medicação, recebeu a sugestão da Dra Cristiane Astrini, médica veterinária homeopata, para tentar um tratamento com homeopatia. “Além de melhorar o humor do Hiro, melhorou a pele. Ele está mais bonzinho com todos e as crises de alergia diminuíram muito” comenta Roberta. Por ser farmacêutica, já conhecia a homeopatia e não teve nenhum tipo de resistência ao aceitar o tratamento alternativo.

Depois da melhora do Hiro, Roberta resolveu levar Isis, a Golden de sua mãe, para o mesmo tratamento. “Com 13 anos, ela já não andava direito, só queria dormir e ficar deitada. Dávamos remédios importados, mas já não estava fazendo efeito. Pode parecer brincadeira, mas depois de um dia de tratamento com a homeopatia, já percebemos diferença” confessa Roberta. Com o remédio certo, a cachorra voltou a andar e após uma semana de tratamento já subia e descia escadas.

Foto: Robert Pontes

Foto: Robert Pontes

A Dra Cristiane explica que a homeopatia tem ação rápida para tirar o animal de uma situação aguda “Diminuir febre ou tirar dores fortes é muito simples através dos remédios homeopáticos. O que pode demorar é quando o caso é crônico ou comportamental” relata a homeopata.

Até quem não acreditava na homeopatia, começou a rever os conceitos. “A nossa faxineira pedia para continuar dando os anti-inflamatórios, pois tinha medo que a homeopatia não fizesse efeito” conta Roberta. Além de melhorar a saúde e bem estar da pequena Isis, não houve efeito colateral. “Não podíamos dar qualquer remédio, pois atacava os rins. A homeopatia pode ser dada sem medo de fazer mal, pois não possui efeito colateral” afirma Roberta.

Medicina do futuro

A homeopatia é tida como a medicina do futuro, pois trata não apenas o órgão doente, mas o paciente como um todo. Isso sem deixar resíduo e sem efeito colateral.

U.S. Department of Agriculture/Creative Commons

U.S. Department of Agriculture/Creative Commons

A Dra Mônica Filomena Assis de Souza é presidente da Associação de médicos veterinários homeopatas e trabalha com animais de criação no Matogrosso do Sul. “A homeopatia é limpa, não deixa resíduos nos animais, no solo, na água e nem no ar. Não podemos pensar em bem estar animal sem cuidar do meio ambiente. Um carrapaticida contamina a carne do boi e o solo, quando é eliminado nos excrementos. Há remédios homeopáticos que repelem ectoparasitas, sem contaminar carne, nem solo” explica Dra Mônica.

Foi uma longa conversa, na qual ela explicou que não há necessidade de usar hormônios ou antibióticos em animais de corte. Só com a homeopatia há possibilidade de aumentar a produção de leite de vaca e qualidade dos ovos de galinha. “O planeta está se exaurindo com tanta química. A homeopatia não cura apenas humanos, animais e plantas doentes; cura o planeta” finaliza Dra Mônica.

Se interessou?

Para quem gostou ou quer saber mais sobre a homeopatia veterinária, a Dra Cidéli convida toda a população, veterinários ou não, apaixonados por animais, a assistirem duas palestras. Uma na quarta (21/10) às 19:30h, com o tema “Por que tratar animais domésticos ou silvestres com homeopatia?” e outra na quinta-feira (22/10), no mesmo horário, com o tema “Distúrbios comportamentais podem ser amenizados com homeopatia?”. O preço por palestra é R$ 50,00, mas se assistir as duas, fica R$ 80,00.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Se você tem perguntas ou críticas a fazer sobre esse tipo de medicina, vá às palestras e aproveite para conversar com os profissionais que lá estarão. Eles estão acostumados a serem questionados e tem a maior paciência do mundo para explicar cada detalhes. Duvido você não rever seus conceitos e não se apaixonar.

Nos encontramos na próxima sexta-feira (23/10), com a Agenda Animal.